Em meio à demora no atendimento, episódio revela a falta de estrutura e transparência na unidade de saúde
Na tarde deste sábado (9), a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itanhaém testemunhou um triste espetáculo de desordem e agressões mútuas entre um casal e os funcionários da instituição. O incidente, marcado por violência física, escancarou a crise que assola não apenas o sistema de saúde local, mas também a conduta questionável dos profissionais incumbidos de zelar pelo bem-estar dos cidadãos.
Segundo relatos de testemunhas, a confusão teve início quando um homem, exasperado com a demora no atendimento médico, decidiu registrar em vídeo as condições precárias da UPA. Entretanto, ao tentar exercer seu direito de documentar a situação, foi confrontado por uma funcionária que, sem qualquer cerimônia, tomou-lhe o celular. Esse ato despótico, longe de solucionar o problema, foi o estopim para uma série de eventos lamentáveis que se seguiram.
Acompanhado de sua companheira, o homem tentou recuperar seu dispositivo, desencadeando uma cena de agressões físicas entre o casal e os funcionários da UPA. Médicos, enfermeiros e pacientes se viram envolvidos em uma batalha caótica, onde o desespero e a indignação reinavam. O clamor por justiça misturava-se aos gritos de dor, enquanto a situação escapava ao controle das autoridades presentes.
É preciso ressaltar que a revolta do casal não é um caso isolado. Reclamações recorrentes sobre a demora no atendimento e a falta de transparência na identificação dos funcionários têm sido registradas neste espaço jornalístico, sem que medidas eficazes sejam tomadas para resolver tais questões. A ausência de crachás de identificação e a recusa em fornecer informações básicas aos usuários são práticas inadmissíveis em qualquer instituição pública.
A Prefeitura de Itanhaém, em comunicado oficial, confirmou as agressões contra os servidores da UPA e reiterou seu compromisso em oferecer todo o suporte necessário às vítimas. No entanto, não se pode ignorar o contexto que levou a esse trágico desfecho. A superlotação da unidade e a escassez de profissionais capacitados para atender à demanda são problemas crônicos que não podem ser ignorados.
Além disso, a atuação da Guarda Civil Municipal (GCM) deixa muito a desejar quando se trata de mediar conflitos envolvendo funcionários públicos. É lamentável constatar que a mesma instituição responsável por combater o crime no município mostra-se relutante em lidar com questões internas e em garantir a transparência e o respeito aos direitos dos cidadãos.
Este episódio sombrio na UPA de Itanhaém não pode ser tratado como um caso isolado. Ele é sintomático de uma falência sistêmica que demanda uma resposta imediata e eficaz por parte das autoridades competentes. Enquanto isso, os cidadãos continuam à mercê de um sistema de saúde precário e de uma conduta questionável por parte dos profissionais que deveriam servi-los com dignidade e respeito.



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