Foragido há anos, homem com mandado de prisão foi capturado em operação da PM em Santos e é apontado como peça-chave em execuções violentas
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| Polícia Militar em operação no bairro Rádio Clube, em Santos, onde ocorreu a prisão de um suspeito de integrar facção criminosa. Foto: Divulgação/SSP-SP. |
Em uma madrugada que começou como qualquer outra no bairro Rádio Clube, em Santos, a Polícia Militar realizou uma operação que trouxe à tona um dos capítulos mais sombrios da criminalidade na região. A prisão de um homem de 41 anos, conhecido como "Picuíra", acusado de ser um dos líderes do tráfico local, lança luz sobre a profundidade das ações de facções criminosas no estado de São Paulo.
A abordagem ocorreu por volta das 5h deste sábado (25), quando policiais da 4ª Companhia do 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) avistaram o suspeito pilotando uma motocicleta sem capacete. A atitude, aparentemente banal, culminou em uma tentativa de fuga frustrada, com o homem abandonando o veículo e buscando refúgio em um bar. Sua detenção foi rápida, mas os detalhes que emergiram em seguida transformaram o caso em um verdadeiro dossiê sobre a violência organizada na Baixada Santista.
O detido não é um novato no mundo do crime. Investigações revelaram um mandado de prisão em aberto, expedido pela 1ª Vara Criminal do Foro de Guarujá, por porte ilegal de arma de fogo. Além disso, o histórico do suspeito inclui passagens por roubo e tráfico de drogas. Ele já havia sido capturado em 2019 durante uma operação do 2º BAEP, mas, à época, conseguiu voltar às ruas, ampliando sua influência nas atividades ilícitas da região.
"Picuíra" é identificado como um membro ativo de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas, conhecida por sua estrutura hierárquica e sua atuação em execuções violentas. Ele é suspeito de envolvimento direto na morte do soldado da Polícia Militar Fabio Lopes Apolinário, em 2011. O crime foi caracterizado por uma emboscada brutal: Apolinário foi alvejado por tiros de fuzil ao sair da casa de seus pais. O mandante do homicídio, identificado como "Azul" ou "Colorido", cumpre pena em um presídio federal, mas a cadeia de comando ainda demonstra sua força mesmo atrás das grades.
Durante a abordagem, o homem portava duas porções de cocaína e, em um último ato de desespero, não apenas tentou resistir, mas também proferiu ameaças diretas aos policiais. O cenário é um reflexo do clima de intimidação imposto por facções que, ao mesmo tempo em que comandam o tráfico, buscam desestabilizar as forças de segurança com sua retórica de violência.
O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Santos sob as qualificações de captura de procurado, posse de drogas para consumo pessoal sem autorização ou em desacordo, e desacato. Exames periciais foram requisitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para formalizar as acusações.


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