Homem vivia no mesmo bairro onde matou a ex-esposa e foi localizado por policiais civis no distrito de Vicente de Carvalho
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| Homem condenado por feminicídio foi preso no bairro onde cometeu o crime, após 15 anos foragido. Foto: Reprodução/Google Maps. |
Um caso emblemático de impunidade chegou ao fim nesta semana em Guarujá. Após 15 anos foragido, um homem de 44 anos, condenado por assassinar a própria ex-esposa, foi capturado na manhã desta terça-feira (19) em uma residência no Jardim Progresso, localizado no distrito de Vicente de Carvalho.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), a prisão ocorreu durante o cumprimento de um mandado expedido pela Justiça, que há mais de uma década aguardava a execução. O condenado havia desaparecido desde 2010, ano em que deveria começar a cumprir pena pelo feminicídio.
A ironia sombria do caso chama a atenção: o homem não apenas permaneceu em liberdade durante todo esse tempo, como também se manteve no mesmo bairro onde o crime ocorreu. Essa proximidade escancara falhas estruturais no sistema de fiscalização e no cumprimento de sentenças, permitindo que um assassino condenado circulasse livremente no cotidiano da mesma comunidade marcada pela violência de seu ato.
Após a prisão, o homem foi conduzido à delegacia do município, onde o caso foi formalizado como "captura de procurado". Ele deverá ser transferido ao sistema prisional para, finalmente, cumprir a pena determinada pela Justiça.
O episódio expõe, mais uma vez, o abismo entre a legislação que condena e o sistema que deveria garantir o cumprimento das penas. Enquanto discursos políticos se multiplicam em torno do combate à violência contra a mulher, casos como este revelam o quanto ainda há de ineficiência prática na proteção das vítimas e no enfrentamento ao feminicídio.
Quinze anos de liberdade para um condenado por assassinato representam não apenas falhas do Estado, mas também um insulto à memória da vítima e à luta pela segurança das mulheres.


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