Quatro mulheres flagradas com drogas no fim de semana expõem rotina de tentativas de abastecer o crime atrás das grades
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| Escâner corporal em ação tem sido decisivo para impedir que drogas cheguem aos presídios de São Vicente. Foto: Divulgação/Polícia Penal. |
O sistema prisional paulista voltou a registrar casos de visitantes flagrados tentando introduzir drogas em unidades penitenciárias. No último fim de semana, quatro mulheres foram surpreendidas ao passar pelos escâneres corporais instalados nas penitenciárias 1 e 2 de São Vicente. Todas carregavam entorpecentes escondidos no corpo e foram encaminhadas à delegacia, onde tiveram boletins de ocorrência registrados, além de serem automaticamente suspensas do rol de visitas da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
No sábado (23), uma companheira de preso da Penitenciária 2 tentou driblar a fiscalização levando 64 gramas de maconha escondidos na região íntima. Ao perceber que as imagens do escâner haviam detectado irregularidades, ela acabou assumindo a tentativa e entregou voluntariamente o invólucro às servidoras de plantão.
No dia seguinte, domingo (24), foi a vez da Penitenciária 1 “Dr. Geraldo de Andrade Vieira” registrar três casos semelhantes. Na primeira ocorrência, a mãe de um detento foi flagrada com 52 gramas de maconha camuflados na cintura. Pouco depois, outra visitante, companheira de preso, foi surpreendida ao tentar ingressar com 24 gramas de droga sintética, ainda não identificada. Assim como nos demais episódios, o entorpecente foi retirado da área íntima e entregue às policiais penais. A terceira ocorrência do dia envolveu uma mulher que transportava 86 gramas de cocaína, também escondidos em região íntima.
Embora os flagrantes demonstrem a eficácia do monitoramento eletrônico, eles também revelam a insistência das tentativas de abastecer o tráfico de dentro para fora dos presídios. A cada fim de semana, visitantes são flagrados em práticas semelhantes, o que reforça o papel estratégico das revistas com escâner corporal. Sem esse tipo de equipamento, dificilmente seria possível detectar os ilícitos e barrar a entrada de drogas, que representam uma das principais engrenagens de sustentação das facções criminosas no sistema carcerário paulista.
Especialistas em segurança prisional lembram que, mesmo diante de sucessivos casos, muitas pessoas ainda se arriscam como “mulas” para atender às demandas dos presos, seja por pressão emocional, seja por envolvimento direto com o crime organizado. O episódio de São Vicente reacende o debate sobre a vulnerabilidade das famílias dos detentos, muitas vezes coagidas a transportar drogas, e ao mesmo tempo expõe a resiliência do crime em manter suas redes ativas mesmo dentro de um ambiente teoricamente controlado.
As quatro mulheres flagradas responderão a inquéritos policiais e podem ser processadas criminalmente. Paralelamente, ficam proibidas de retornar às unidades prisionais como visitantes — uma medida administrativa que busca coibir novas tentativas e preservar a ordem interna dos presídios.


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