Ocorrência evidencia fragilidade da mobilidade urbana e falta de políticas de trânsito eficazes
![]() |
| Equipes de resgate atuaram no Jardim Las Palmas, em Guarujá, após colisão fatal que vitimou pai e filho. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
A tarde de segunda-feira (25) transformou-se em tragédia em Guarujá. Um acidente brutal ocorrido na Avenida dos Caiçaras, no Jardim Las Palmas, ceifou a vida de um jovem de 20 anos e de seu pai, de 47, que estavam em uma motocicleta. O veículo colidiu violentamente contra um morador em situação de rua que atravessava a via de forma repentina.
O impacto foi devastador. Testemunhas relataram que o pedestre surgiu de maneira inesperada na pista, sem qualquer chance de reação por parte do condutor. O pai, que dirigia a moto, e o filho, que seguia na garupa, foram arremessados ao chão com extrema violência. O jovem teve morte imediata, constatada ainda no local pelo médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O pai chegou a ser socorrido em parada cardiorrespiratória e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rodoviária, mas não resistiu.
O morador em situação de rua, atingido pela motocicleta, sobreviveu com escoriações e foi encaminhado à mesma unidade de saúde, onde aguardava exames de imagem até o fechamento desta reportagem. Apesar de não correr risco imediato de morte, o estado do pedestre também evidencia a precariedade de sua condição de vida, em uma cidade que convive diariamente com a exclusão social.
A dor da família ganhou contornos ainda mais dramáticos com a presença da mãe do jovem e esposa do motociclista. Desesperada ao se deparar com a cena, a mulher de 50 anos entrou em crise nervosa e precisou igualmente ser atendida por equipes de resgate.
A ocorrência mobilizou bombeiros, equipes do Samu e a Polícia Militar. Foram necessárias duas viaturas e seis agentes dos Bombeiros para atender a emergência, além de viaturas da PM que isolaram a área. O caso agora seguirá para investigação da Polícia Civil, que deverá apurar em detalhes as circunstâncias da colisão.
Além da tragédia familiar, o episódio revela um cenário mais amplo de descuido com a segurança urbana. Ruas movimentadas e mal planejadas, ausência de passagens seguras para pedestres e a crescente presença de moradores em situação de rua formam uma combinação explosiva. Em Guarujá, como em outras cidades da Baixada Santista, acidentes desse tipo acabam não sendo apenas casos isolados, mas sintomas de problemas estruturais.
A falta de políticas públicas eficazes para reduzir a vulnerabilidade social e garantir segurança no trânsito cobra vidas, como as de pai e filho que perderam o futuro em questão de segundos. Tragédias assim deixam marcas profundas em famílias, mas também lançam à sociedade a pergunta inevitável: até quando vidas continuarão sendo sacrificadas em meio à negligência coletiva?


0 Comentários