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Escravidão moderna à beira-mar: crianças exploradas em esquema na orla de Santos

Polícia resgata seis menores submetidos a trabalho ilegal; dois adultos foram presos e veículo usado no crime acabou apreendido

Kombi vermelha apreendida pela Polícia Militar em Santos, utilizada no esquema de exploração infantil na orla. Foto: Divulgação/Polícia Militar.

A orla de Santos, cartão-postal do litoral paulista para o Brasil, foi palco de uma ocorrência que revela a face mais sombria da exploração infantil. Dois adultos foram presos na última semana após a Polícia Militar flagrar um esquema que utilizava menores de idade para vender doces na faixa litorânea da cidade. A operação resultou no resgate de seis adolescentes que, de acordo com o relato, recebiam apenas R$ 50 por dia para permanecerem longas horas sob o sol desempenhando atividades proibidas por lei.

Os agentes chegaram até o grupo após investigarem movimentações suspeitas em uma Kombi vermelha, veículo que, segundo a corporação, também estaria relacionado a furtos praticados na região. Na abordagem, foram identificados os dois adultos que controlavam a atividade e seis jovens submetidos ao trabalho irregular.

Os adolescentes confirmaram que a rotina era diária e o pagamento fixo, em um esquema que não só caracteriza exploração de mão de obra infantil, mas também enquadra os responsáveis no crime de corrupção de menores. Para as autoridades, a prática configura uma espécie de escravidão moderna, mascarada sob a aparência de "atividade informal".

Diante dos fatos, os envolvidos foram conduzidos ao Centro de Polícia Judiciária (CPJ), onde os dois adultos permanecem à disposição da Justiça. O veículo foi apreendido para perícia e aprofundamento das investigações, enquanto os menores foram entregues aos seus responsáveis legais.

O caso levanta novamente o debate sobre a persistência de redes informais que exploram crianças e adolescentes em situações precárias de trabalho, muitas vezes à vista de todos, em locais de grande circulação turística. Apesar de leis rigorosas que proíbem o trabalho infantil, a prática segue acontecendo, especialmente em áreas de vulnerabilidade social.

Especialistas lembram que a exploração do trabalho de menores não é apenas uma violação de direitos, mas também um sintoma da ausência de políticas públicas eficazes para prevenir que jovens sejam capturados por esquemas criminosos. Quando a infância é transformada em moeda de troca, a sociedade inteira fracassa.

A orla de Santos, que deveria ser espaço de lazer e convivência, tornou-se cenário de um problema que expõe a urgência de ações mais contundentes contra a exploração infantil. O caso reforça que não se trata apenas de prender os responsáveis, mas de enfrentar as raízes sociais e econômicas que alimentam esse tipo de prática.


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