Esquema que enganava vítimas em diferentes estados movimentou quase R$ 100 mil em um mês e tinha ramificações no Rio, Amazonas e Rio Grande do Norte
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| Polícia Civil de Santos prendeu no Rio de Janeiro a mulher apontada como líder de um esquema milionário de falsos aluguéis virtuais. Foto: Reprodução/Divulgação. |
A Polícia Civil de Santos desarticulou um sofisticado esquema de estelionato interestadual conhecido como "golpe do falso aluguel", que vinha lesando vítimas em diversas regiões do país. A ofensiva policial culminou, nesta terça-feira (26), na prisão de Daniela de Aguiar Nossa, de 37 anos, apontada como a líder da organização criminosa. A captura ocorreu em Sepetiba, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, após cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.
Segundo os investigadores do 2º Distrito Policial de Santos, Daniela era a mente por trás de uma rede que utilizava perfis falsos em plataformas digitais — como Facebook Marketplace e Mercado Livre — para atrair pessoas interessadas em imóveis para locação. As vítimas eram convencidas a realizar pagamentos antecipados via Pix, acreditando estar firmando um contrato legítimo. Pelo menos três moradores da Baixada Santista já registraram prejuízos diretos.
A acusada já era alvo de uma ordem de recaptura expedida pela Justiça do Rio de Janeiro, onde responde por outros estelionatos e até por um crime de roubo contra turista em Copacabana, praticado com o conhecido método "boa noite, Cinderela", no qual a vítima é dopada antes de ser roubada.
De acordo com as apurações, em apenas pouco mais de 30 dias, Daniela movimentou R$ 96 mil em 41 transações de Pix, valores incompatíveis com sua condição financeira declarada. A análise dos dados bancários e telemáticos, autorizada pela Justiça, foi decisiva para apontar a liderança da investigada.
A operação revelou ainda que o esquema não se restringia ao Rio de Janeiro e à Baixada Santista. Parte do dinheiro oriundo dos golpes foi transferida para contas de Lohane Kelly Alves Câmara, de 19 anos, residente em Parnamirim (RN), além de Liedson de Oliveira Alves, de 23, e Herik Henrique Roque Silva, de 30, ambos de Manaus (AM). Os três também foram alvo de mandados de busca e apreensão em seus endereços.
As investigações apontam que o grupo agia de forma coordenada, distribuindo as transações financeiras para dificultar o rastreamento e configurar lavagem de dinheiro.
A prisão de Daniela contou com o apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, uma vez que a acusada vivia em uma região dominada por milicianos, o que aumentava o risco da ação. As diligências também tiveram a colaboração da Polícia Civil do Amazonas e do Ministério Público do Rio Grande do Norte, reforçando o caráter nacional da investigação.
Os crimes em apuração incluem estelionato majorado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Daniela permanece presa no Rio, onde será interrogada por investigadores de Santos, que seguem aprofundando as apurações para identificar o alcance total da fraude.


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