Moradores de várias cidades sofrem diariamente com cortes no fornecimento de água e cobram providências urgentes da concessionária
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| Torneiras secas na Baixada Santista refletem o descaso da Sabesp e o sofrimento da população. Foto: Reprodução/Getty Images. |
A cena se repete há semanas: torneiras secas, moradores desesperados correndo para encher baldes e improvisando estratégias para manter a rotina mínima dentro de casa. Em Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande, a falta de abastecimento de água tornou-se um verdadeiro drama cotidiano, expondo falhas graves da Sabesp na gestão de um serviço essencial.
Em São Vicente, por exemplo, há relatos de famílias que permanecem mais de 24 horas sem uma gota sequer. Quando a água finalmente retorna, em muitos casos, o alívio dura apenas algumas horas até o corte seguinte. Trata-se de uma situação inaceitável em pleno século XXI, especialmente em uma região que concentra milhões de habitantes, além de ser um polo turístico que recebe milhares de visitantes.
A população tenta se adaptar à crise: caixas d’água improvisadas, galões comprados a preços abusivos, caminhões-pipa contratados de forma emergencial. Mas a realidade é cruel — cozinhar, tomar banho, lavar roupas ou mesmo manter a higiene básica tornou-se uma prova de resistência para os moradores da Baixada Santista.
Enquanto isso, a Sabesp limita-se a divulgar notas protocolares, sempre atribuindo o problema a “obras de manutenção” ou “altas temperaturas que aumentam o consumo”. O discurso repetitivo já não convence, e a sensação predominante é de abandono. O que se vê é uma concessionária que cobra caro pelo serviço, mas não entrega o mínimo: regularidade no fornecimento de água.
A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes sociais é simples e incômoda: até quando a população terá de conviver com a escassez e com desculpas mal elaboradas? É legítimo questionar se a Sabesp, com toda sua estrutura e faturamento bilionário, é incapaz de planejar investimentos estruturais capazes de assegurar o abastecimento da região de forma confiável.
A crise hídrica que se arrasta pela Baixada Santista é mais do que um transtorno momentâneo: trata-se de um grave problema de saúde pública, que expõe moradores a riscos sanitários, compromete a economia local e revela, sobretudo, o descaso da empresa responsável por gerir um recurso tão vital.
A população já não pede explicações, mas exige soluções concretas. A paciência secou junto com as torneiras.


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