Tentativa de furto frustrada revela rotina de crimes e sensação de desamparo entre moradores do tradicional bairro da cidade litorânea
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| Veículo utilizado pelos criminosos e objetos apreendidos pela Polícia Militar após a tentativa de furto no bairro Suarão, em Itanhaém. Foto: Reprodução/29 BPM/I. |
O bairro Suarão, em Itanhaém, outrora lembrado por suas ruas tranquilas e ambiente familiar, hoje carrega uma reputação cada vez mais indissociável da criminalidade. O episódio mais recente, ocorrido no último sábado (23), expõe não apenas a ousadia dos criminosos, mas também a fragilidade da segurança pública na região, que parece operar mais pela sorte do improviso do que por políticas eficazes de combate ao crime.
Segundo a própria Polícia Militar, dois homens tentaram invadir uma residência no bairro. A ação, contudo, foi frustrada pela chegada inesperada do morador (e não da polícia!), que retornava de viagem e surpreendeu os indivíduos em plena atividade criminosa. Assustados, os suspeitos fugiram, abandonando um celular e a chave de um veículo Ford EcoSport utilizado na ação.
Horas depois, a PM localizou o carro, no qual havia não apenas dinheiro em espécie, mas também documentos pessoais e cartões bancários, reforçando que a dupla agia de maneira organizada — ainda que a fuga desordenada tenha revelado um amadorismo incomum.
Apesar do desfecho que impediu o furto, a ocorrência deixa em evidência o cenário que há tempos angustia os moradores de Suarão: a sensação de viver em uma área completamente vulnerável, onde a criminalidade parece sempre um passo à frente das autoridades.
Enquanto as forças policiais se esforçam com recursos limitados, o bairro coleciona episódios de furtos, assaltos e outras práticas ilícitas. De pequenos delitos cometidos à luz do dia a crimes mais ousados, a população local se vê obrigada a investir em grades, câmeras e sistemas de segurança privados, em uma clara demonstração do colapso da proteção pública.
Não se trata apenas de marginais de ocasião, mas de uma estrutura criminosa que cresce em paralelo à ausência do Estado. A presença policial, quase sempre reativa, raramente consegue oferecer a sensação de segurança mínima à comunidade. No caso recente, os suspeitos só não tiveram êxito graças à coincidência da chegada do morador, e não por uma ação preventiva das autoridades.
O episódio também serve de metáfora amarga para a situação de Itanhaém como um todo: uma cidade de potencial turístico, histórico e cultural, mas que insiste em conviver com a sombra da criminalidade. No Suarão, especialmente, a população já se acostumou com relatos de roubos, tráfico de drogas, violência e, agora, até mesmo com o grotesco da marginalidade atrapalhada.
Por mais irônico que seja o fato de ladrões fugirem deixando para trás provas e bens, a realidade é que a sorte não pode substituir políticas públicas sérias. Enquanto isso não acontece, Suarão segue como um território à mercê, onde até a incompetência dos criminosos parece pouco diante da competência da insegurança que domina o bairro.


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