Cidade entra em estado de emergência após volume de chuva de quase um mês cair em apenas três horas; aposentado morreu soterrado ao tentar proteger patrimônio
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| Veículos são arrastados e ficam parcialmente submersos pela força da enxurrada que tomou conta das ruas do Centro de Ilhabela durante o temporal. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
A noite de terça-feira (16) transformou o cenário do litoral norte paulista em um quadro de destruição e luto. Em um intervalo crítico de apenas três horas, Ilhabela foi castigada por 120 milímetros de chuva — um volume assustador que se aproxima da média esperada para todo o mês de janeiro. A fúria climática resultou em estado de emergência, apagão na região central e, tragicamente, na perda de uma vida conhecida pela comunidade local.
No bairro Alto da Barra Velha, a geografia íngreme potencializou a força das águas. Foi lá que o aposentado Artêmio, figura estimada por anos de trabalho no caixa de um mercado da região, tornou-se a vítima fatal do temporal. Na tentativa desesperada de salvar seu carro da enxurrada na garagem de casa, na Rua Deolino Mariano Leite, ele foi surpreendido. Ao retornar apenas para fechar o portão, um deslizamento de terra, incapaz de conter a pressão da água, derrubou um muro sobre ele.
Equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, auxiliadas por voluntários e uma retroescavadeira, trabalharam arduamente na remoção dos escombros. Artêmio, no entanto, foi encontrado sem vida. Seu cão, que estava junto no momento do colapso, foi resgatado vivo.
A massa de água que se acumulou nas partes altas desceu com violência incontrolável em direção à região central da ilha. Entre os bairros Barra Velha e Perequê, a Avenida Princesa Isabel, principal artéria viária da cidade, converteu-se em um rio caudaloso. Imagens que circulam nas redes sociais registraram a incredulidade de moradores ao verem dezenas de automóveis e motocicletas sendo arrastados pela correnteza, flutuando à deriva.
Comércios e residências foram invadidos pela lama e detritos. No Perequê, uma conhecida rede de fast-food foi completamente alagada, evidenciando a vulnerabilidade de um trecho já marcado pela recorrência de inundações crônicas causadas pela combinação de chuvas fortes e maré alta, numa área que concentra também escolas e agências bancárias.
Diante do colapso, a administração municipal decretou estado de alerta e abriu escolas para acolher famílias que tiveram suas casas invadidas pelas águas. Já na madrugada desta quarta-feira (17), o cenário desolador foi agravado pela falta de energia elétrica que atingiu toda a região central, deixando a cidade às escuras enquanto começava a contabilizar os prejuízos de uma noite de caos.


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