Moradores relatam mal-estar e pânico com forte odor de gás, enquanto concessionária nega vazamento e deixa a origem do risco sem explicação
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| Registro da Rua Cyro de Athayde Carneiro, ponto central das reclamações de vazamento que mobilizaram bombeiros e técnicos na Ponta da Praia. Foto: Reprodução/Google Maps. |
A calmaria da madrugada desta terça-feira (16), foi brutalmente interrompida para os moradores entre os canais 5 e 6, em Santos. Por volta das 2h10, o que deveria ser o descanso de centenas de famílias transformou-se em um cenário de alerta e náuseas. Na Rua Cyro de Athayde Carneiro, na Ponta da Praia, o ar tornou-se pesado, carregado por um odor de gás tão intenso que ultrapassou as frestas das janelas e invadiu os apartamentos de uma das áreas mais densamente povoadas da Baixada Santista.
A presença das viaturas do Corpo de Bombeiros trouxe o impacto visual da gravidade da situação. No local, os oficiais encontraram técnicos da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) já em operação, realizando manobras de manutenção. Entretanto, o que se seguiu foi um desencontro de informações que amplifica a sensação de vulnerabilidade de quem vive cercado por prédios e tubulações subterrâneas.
O Corpo de Bombeiros confirmou o chamado para um vazamento de gás, mas admitiu que a origem exata do forte odor permanece um mistério. Em contrapartida, a Comgás emitiu uma nota que beira o paradoxo: embora seus técnicos estivessem na rua durante a madrugada e tenham sido acionados por diversos chamados, a empresa nega qualquer vazamento na rede. Segundo a concessionária, o cheiro detectado não possui as características do gás encanado distribuído pela rede.
Essa negativa institucional esbarra na realidade física sentida por quem estava no local. Moradores relataram episódios de mal-estar e um medo palpável. Em bairros com alta concentração vertical, como a Ponta da Praia, qualquer suspeita de vazamento de gás não é um incidente menor; é um risco potencial de catástrofe. A afirmação de que o cheiro não é característico da rede levanta uma questão ainda mais alarmante: se não é o gás da empresa, o que inundou a atmosfera de um bairro inteiro a ponto de mobilizar forças de segurança?
O encerramento do episódio, sem um diagnóstico técnico preciso e público, deixa um vácuo de autoridade. Onde o gás é invisível, a transparência deveria ser o único elemento sólido. Enquanto as autoridades e a operadora não fornecem um parecer concreto sobre o que causou o fenômeno, resta à população o desconforto de uma pergunta sem resposta e a insegurança de respirar um ar que, por algumas horas, expulsou o sono e trouxe o medo para dentro de casa.


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