Prefeitura endurece fiscalização contra ambulantes e impõe transferência de bebidas para plástico para evitar acidentes e violência na temporada
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| Vista aérea da orla de Santos, onde a fiscalização intensifica o controle sobre o uso de recipientes de vidro durante a alta temporada. Foto: Reprodução. |
O cenário é de cartilha: o sol castiga o asfalto, os jardins da orla florescem e o som das ondas se mistura ao burburinho de milhares de turistas. No entanto, por trás da leveza do verão santista, uma nova ordem administrativa impõe um tom de rigor absoluto. Desde esta segunda-feira, a transparência do vidro tornou-se persona non grata na faixa de areia. A regra, publicada no Diário Oficial, não abre margem para interpretações: até 20 de fevereiro de 2026, o vidro está banido das mãos dos ambulantes e, consequentemente, dos banhistas.
A decisão da administração municipal carrega o peso de uma necessidade prática e urgente. Com a densidade demográfica da Baixada Santista explodindo nos meses de calor, o que antes era uma garrafa de cerveja ou um frasco de condimento torna-se, em segundos, um resíduo invisível e cortante sob a areia ou uma arma letal em potenciais conflitos de aglomeração. A Operação Verão deste ano não foca apenas no patrulhamento ostensivo, mas no controle do objeto que, se quebrado, não se recolhe com facilidade.
Para quem vive do comércio de rua, a rotina mudou drasticamente. O estoque de bebidas finas, vinhos ou destilados — tradicionalmente envasados em vidro — agora deve permanecer oculto dentro de freezers ou caixas térmicas. A exposição é proibida. No ato da venda, o ritual é obrigatório: o líquido sai do vidro e entra no plástico descartável antes de chegar ao cliente. A garrafa original jamais deve atravessar o balcão improvisado do carrinho.
O braço fiscalizador da cidade promete ser implacável. A Coordenadoria de Fiscalização de Posturas, apoiada pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Militar, circula com a ordem de apreensão imediata. O descumprimento resulta em mercadoria confiscada e multa no bolso. Para os reincidentes, a punição é o silêncio forçado: a suspensão da licença de trabalho e o fim da temporada de vendas.
Em Santos, a segurança agora tem prioridade sobre a estética da embalagem, e o preço da desobediência é a exclusão do mercado da orla.


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