Em operação de inteligência, cães de faro detectaram entorpecente camuflado no teto de contêiner que seguiria para o Reino Unido
A rotina de exportações no maior complexo portuário da América Latina esconde, entre milhares de toneladas de commodities, a persistência de esquemas internacionais de tráfico. Nesta terça-feira (16), a Alfândega de Santos interrompeu mais uma rota que ligava o cais santista ao Reino Unido. O alvo da vez não estava misturado ao produto, mas fundido à própria estrutura que o transportava: 17 quilos de cocaína foram extraídos das entranhas de um contêiner carregado com seis toneladas de bananas.
A estratégia utilizada pelos criminosos demonstra o nível de especialização que desafia as autoridades locais. Em vez de esconder o entorpecente entre as caixas de frutas, a organização optou por violar o teto da unidade de carga. Pelo lado de fora, uma abertura estratégica permitiu que o material de isolamento térmico original fosse removido e substituído por tabletes da droga. A camuflagem buscava enganar o olhar humano e os sistemas convencionais, apostando na integridade visual do painel de topo.
O plano, porém, sucumbiu ao olfato apurado. Durante a fiscalização de rotina, dois cães de faro da Receita Federal foram os primeiros a dar o alerta. Ao passarem pela carga selecionada, os animais sinalizaram positivamente, transformando a suspeita em uma ação de busca e apreensão. O que parecia ser apenas uma estrutura metálica comum revelou, sob o corte forçado da equipe de repressão, o conteúdo ilícito que atravessaria o Atlântico.
Esta operação marca a sexta vez, somente este ano, que entorpecentes são encontrados especificamente na estrutura de contêineres no Porto de Santos. O método recorrente aponta para uma tática de formiguinha que, somada a outras apreensões de maior escala, já totaliza quase 6,5 toneladas de cocaína retidas pela Alfândega santista no acumulado de 2025.
Após a retirada da droga e a confirmação da pureza do material, a Polícia Federal assumiu a custódia da apreensão. Um inquérito policial foi instaurado para rastrear a origem da contaminação e identificar os responsáveis pela logística que tenta, sem sucesso, transformar o Porto de Santos em um corredor livre para o tráfico transcontinental.


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