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Show no céu, falha no posto: Praia Grande gasta com fogos e deixa Usafas sem insulina

Com estoque zerado na maioria das unidades e sem previsão de reposição para 2025, pacientes peregrinam pela cidade em busca de sobrevivência

Prateleiras de unidades de saúde em Praia Grande registram falta de medicamentos essenciais, enquanto cidade prioriza gastos com infraestrutura de lazer para o fim de ano. Foto: Reprodução/Prefeitura de Praia Grande.

A negligência administrativa em Praia Grande ganhou um rosto cansado na manhã desta quarta-feira (17). Na Usafa Maracanã, a reportagem flagrou a jornada de um senhor que, com um pequeno isopor debaixo do braço, tentava proteger a dignidade que o poder público lhe negou. Ele já havia percorrido outras unidades de saúde da cidade, recebendo o "não" como resposta, até encontrar o medicamento apenas nesta unidade, onde o estoque ainda respira por aparelhos.

O drama desse morador é o retrato de um sistema em colapso. A insulina, substância vital que não admite pausas ou atrasos, sumiu das prateleiras da maioria das Usafas do município. O contraste é violento: enquanto a prefeitura acelera os gastos com telões de última geração e toneladas de fogos de artifício para o entretenimento turístico, o cidadão local é condenado a uma peregrinação exaustiva para não morrer.

A situação é ainda mais alarmante nos bastidores da gestão. Informações exclusivas obtidas por esta reportagem revelam que não existe previsão para a chegada de novos lotes de medicamentos ainda este ano. A administração municipal parece ter baixado as cortinas para a saúde em 2025, empurrando qualquer possibilidade de normalização para janeiro. É o uso da burocracia como ferramenta de postergação, ignorando que o diabetes não aguenta o calendário festivo da prefeitura.

A escassez é tão profunda que atingiu até o papel. A falta de folhas de sulfite para imprimir resultados de exames forçou um racionamento severo, onde as poucas folhas que restam são trancadas para uso exclusivo dos médicos. Em breve, nem o diagnóstico poderá ser entregue. Residentes e profissionais da linha de frente assistem, impotentes, à face mais cruel de uma política pública que prefere o brilho efêmero da pólvora ao funcionamento básico das farmácias populares.

O dinheiro investido no espetáculo da orla é o mesmo que falta para abastecer o isopor daquele senhor encontrado nesta manhã. Praia Grande desenha um cenário onde o turista é recebido com luzes, enquanto o morador é recepcionado com prateleiras vazias. A prioridade da gestão é clara: o marketing do lazer vale mais do que a vida de quem ajuda a construir a cidade todos os dias.


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