Tentativa de feminicídio no Jardim Nova República; mulher de 28 anos segue em estado gravíssimo após discussão motivada por ciúmes
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| Registro da ocorrência foi centralizado na Delegacia de Defesa da Mulher de Cubatão, unidade especializada no atendimento a vítimas de violência doméstica. Foto: Reprodução/Google Maps. |
A madrugada de segunda-feira, 29, no bairro Jardim Nova República, em Cubatão, foi marcada por um episódio de violência extrema que reflete a face mais cruel das estatísticas de feminicídio na Baixada Santista. Uma mulher de 28 anos luta pela vida após ter 75% do corpo atingido por queimaduras de terceiro grau. O principal suspeito é o seu companheiro, um homem de 32 anos, que foi detido em flagrante pela Polícia Civil.
O crime ocorreu na Rua José Quirino Dantas, após o casal retornar de uma adega. O que começou como uma celebração social acompanhada por uma testemunha rapidamente degenerou em uma discussão ríspida dentro da residência. De acordo com as investigações preliminares, o conflito foi alimentado por ciúmes, um componente recorrente em casos de violência doméstica que frequentemente escala para tentativas de homicídio.
Durante o embate, o cenário de agressões verbais tornou-se físico e letal. Relatos indicam que, em meio ao confronto, houve o uso de álcool. O agressor, então, despejou o líquido inflamável sobre a companheira e acionou um fósforo. O fogo se espalhou rapidamente, consumindo grande parte da superfície corporal da vítima e transformando o ambiente em uma cena de horror.
O socorro veio do desespero de quem presenciou o ataque. Enquanto a testemunha tentava debelar as chamas com água, um vizinho agiu prontamente para levar a jovem ao Pronto-Socorro Central de Cubatão. Devido à profundidade das lesões e ao risco iminente de morte, ela permanece internada em estado gravíssimo, sob cuidados intensivos de uma equipe multidisciplinar.
Horas após o crime, o autor compareceu à delegacia na tentativa de oferecer uma narrativa favorável aos seus atos. Contudo, o trabalho técnico da Polícia Civil foi determinante. O cruzamento de depoimentos, os laudos médicos e a perícia dos vestígios deixados no imóvel desconstruíram a versão do acusado. A autoridade policial não hesitou em converter a prisão em preventiva, garantindo que o homem permaneça à disposição do Judiciário.
O caso foi formalmente registrado como tentativa de feminicídio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Cubatão. Além da prisão, um aparelho celular foi apreendido e deve passar por perícia para auxiliar na compreensão da dinâmica do casal antes do crime. O episódio reafirma a urgência do debate sobre a segurança das mulheres em ambiente doméstico, onde o lar, muitas vezes, deixa de ser abrigo para se tornar o palco de tragédias anunciadas.


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