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Milhão no lixo em Itanhaém: A vergonhosa obra fantasma que virou reduto de mato no Centro

As promessas de entrega do Espaço da Saúde ficaram no papel e a obra de mais de um milhão de reais se torna um monumento à inércia administrativa

Portal de entrada de Itanhaém: cidade enfrenta desafios de infraestrutura e paralisia em obras estratégicas para a rede de saúde. Foto: Arquivo/Prefeitura de Itanhaém.

Itanhaém carrega em suas ruas o peso de um tempo que parece não avançar quando o assunto é gestão pública. Na Rua Professora Dinorá Cruz, no coração do Centro, o que deveria ser um centro de atendimento e cuidado para a população é, hoje, um cenário desolador. Entre as grades que cercam o canteiro de obras, o verde que se vê não é o da esperança de um novo serviço, mas o do mato alto que consome o investimento de 1.294.776,12 reais.

O cronograma oficial, estampado na placa que ainda resiste ao tempo, marcava o dia 18 de julho de 2023 como o ponto de partida. O prazo de 540 dias para a conclusão já se dissolveu no calendário, assim como a credibilidade das previsões oficiais. A administração municipal, liderada pelo prefeito Tiago Cervantes e pelo vice Zé Renato, coleciona datas que nunca saíram do campo da retórica. Primeiro, a promessa de entrega foi para abril. Depois, o horizonte mudou para novembro. Nenhuma das metas foi atingida.

Enquanto o calendário avança para 2026, a estrutura segue inoperante. Uma obra interrompida é, por natureza, um dreno de recursos públicos. O dinheiro imobilizado em tijolos e cimento que se deterioram sob o sol e a chuva representa muito mais do que um erro de cálculo orçamentário; representa a ausência do poder público onde ele é mais vital.

A paralisia do Espaço da Saúde escancara uma falha profunda no planejamento estratégico. O cidadão de Itanhaém, que financia cada centavo aplicado ali, observa de longe uma estrutura que deveria acolher pacientes, mas que hoje serve apenas para acumular custos extras e incertezas. A gestão atual parece ter se perdido entre o anúncio e a execução, transformando a saúde pública em um canteiro de obras fantasma que assombra quem depende do sistema municipal.

A cidade não carece de novos prazos ou de justificativas elaboradas por assessorias. O que o cenário da Rua Dinorá Cruz exige é a entrega de um serviço funcional e o fim do desrespeito com o erário. Até que as máquinas voltem a funcionar e as portas se abram, o Espaço da Saúde permanecerá como o símbolo mais nítido de uma administração que patina na própria incapacidade de concluir o que começou.


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