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O ritual do horror em Potim: quando a barbárie escancara a farsa da recuperação penal

A ilusão da ressocialização desmorona diante de um cenário de vísceras expostas e pichações de facções, revelando o depósito humano de seres irrecuperáveis

Fagner Falcão de Oliveira Silva, de 36 anos, vítima de um ataque brutal que expôs a fragilidade da segurança e a barbárie dentro do sistema prisional paulista. Foto: Reprodução.

O pátio da Penitenciária 1 de Potim, no interior de São Paulo, não foi palco de um simples acerto de contas na última sexta-feira. O que ocorreu durante o banho de sol foi uma manifestação da mais pura e absoluta selvageria, um espetáculo de horrores que desafia qualquer lógica de civilidade. Fagner Falcão de Oliveira Silva, de 36 anos, não apenas morreu; ele foi sacrificado em um ritual de brutalidade que expõe a falência de um sistema que finge recuperar quem nasceu para destruir.

Fagner foi atacado com lâminas improvisadas, mas o ódio dos agressores não se deu por satisfeito com a interrupção da vida. Relatos de agentes da Polícia Penal, que convivem diariamente com o abismo, descrevem uma cena digna de pesadelos: o corpo foi aberto ao meio e as vísceras arrancadas. Em um gesto de deboche à ordem pública e à vida humana, os executores usaram o sangue da vítima para pichar a frase Novo Cangaço nas paredes da unidade.

A mensagem é clara e carrega o peso das táticas de guerra que aterrorizam cidades pequenas, mas o simbolismo aqui é ainda mais sombrio. Revela que, dentro das celas, a lei que impera não é a do Código Penal, mas a da barbárie desenfreada. Enquanto juristas se debruçam sobre brocardos latinos e teorias de reintegração social, a realidade nos cospe na cara que existem indivíduos cuja essência é a maldade pura, seres que o Estado se limita a empilhar por tempo determinado para, depois, devolver ao convívio de cidadãos de bem.

A trajetória de Fagner é o retrato de um sistema que monitora a criminalidade, mas é incapaz de contê-la. Com passagens por facções como Massa Carcerária e Comando Vermelho no Ceará, ele trouxe consigo um histórico de periculosidade que o acompanhou até o solo paulista. Em Potim, uma unidade que se tornou um caldeirão de oposições ao crime organizado hegemônico, a ausência de lideranças internas transformou o presídio em uma terra de ninguém, onde a violência é a única linguagem compreendida.

A Secretaria da Segurança Pública autuou quatro homens pelo crime, todos na faixa dos 30 e 40 anos. São indivíduos que, segundo a letra fria da lei, um dia estarão nas ruas novamente, sob o subterfúgio de que foram recuperados. É uma bravata intelectualizada. A morte de Fagner, com o requinte de crueldade de ter o abdômen retalhado para servir de tinta a criminosos, prova que a ideia de recuperação para certos perfis é uma ficção perigosa.

O que assistimos em Potim é o resultado de uma política de depósito humano que ignora a natureza irrecuperável de quem não hesita em mergulhar as mãos no sangue alheio para marcar território. O Estado, em sua omissão confortável, mantém o ciclo girando, enquanto a sociedade aguarda temerosa o próximo retorno desses seres ao convívio social.


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