Polícia Militar afirma que cabo foi torturado e morto a mando do PCC; crime teria sido decidido horas após o policial advertir usuário de drogas durante férias
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| À esquerda, o carro do policial militar encontrado completamente carbonizado; à direita, imagem de Fabrício Gomes de Santana em vida. Foto: Reprodução. |
Um desentendimento aparentemente pontual, dentro de uma comunidade da Zona Sul de São Paulo, teria sido o estopim para uma execução brutal. Um relatório da Polícia Militar indica que o cabo Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, foi torturado e morto por ordem do Primeiro Comando da Capital (PCC) após discutir com um traficante em uma adega da favela Horizonte Azul, região do M’Boi Mirim.
De acordo com o documento, cinco integrantes da facção criminosa foram identificados como diretamente envolvidos. Três deles teriam participado da decisão que decretou a morte do policial, enquanto outros dois são apontados como executores. A motivação, segundo a apuração, foi clara: Fabrício era policial militar e, aos olhos do tráfico local, representava risco à atividade criminosa na comunidade.
O PM estava de férias e visitava familiares quando advertiu um homem que consumia cocaína dentro do estabelecimento. O traficante deixou o local, mas acionou outros membros da facção. A partir daí, ainda segundo a polícia, houve uma reunião entre lideranças do PCC na região sul, que decidiu pela morte do cabo.
Câmeras de segurança registraram o carro de Fabrício circulando pela comunidade e sendo seguido por outro veículo. Pouco depois, o policial foi rendido, teve sua arma roubada e foi levado para um bar, onde teria sido espancado e morto. O corpo apresentava sinais de tortura e traumatismo craniano, conforme laudo preliminar da Polícia Técnico-Científica.
O automóvel do PM foi encontrado carbonizado em uma área de mata em Itapecerica da Serra. Já o corpo só foi localizado dias depois, enterrado em um sítio em Embu-Guaçu, após buscas com cães farejadores. A identificação oficial ocorreu nesta segunda-feira, encerrando dias de incerteza para familiares e colegas de farda.
Além dos cinco membros do PCC citados no relatório, outras quatro pessoas estão presas temporariamente por suspeita de envolvimento no crime, entre elas o traficante que discutiu com o policial, um conhecido que o levou até os criminosos, um homem acusado de transportar combustível para incendiar o carro e o caseiro do sítio onde o corpo foi enterrado.
A Polícia Civil segue investigando o caso e ainda não solicitou à Justiça a prisão dos apontados como mandantes e executores diretos. O corpo de Fabrício Santana foi sepultado nesta segunda (12) no Cemitério Cerejeiras, no Jardim Ângela. Ele tinha casamento civil marcado para dois dias após o crime, detalhe que reforça o impacto humano de uma morte que, segundo a polícia, foi decretada como exemplo silencioso de domínio territorial.


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