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Delação de ex-dirigentes do INSS cita Lulinha em esquema bilionário de fraudes previdenciárias

Acordos com a Polícia Federal detalham descontos ilegais em aposentadorias e envolvem nomes do Centrão; movimentações de propina superam os R$ 15 milhões

A sede do INSS em Brasília, onde funcionava o alto escalão da autarquia agora sob investigação da Polícia Federal por fraudes bilionárias.
A sede do INSS em Brasília, onde funcionava o alto escalão da autarquia agora sob investigação da Polícia Federal por fraudes bilionárias. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

As investigações sobre a chamada "farra do INSS" ganharam um novo e decisivo capítulo com o avanço de acordos de colaboração premiada que atingem o núcleo familiar da Presidência da República. Dois ex-integrantes da cúpula do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), detidos desde 13 de novembro, detalharam à Polícia Federal um esquema de desvios bilionários fundamentado em descontos ilegais diretamente na folha de pagamento de aposentados. Pela primeira vez no curso do inquérito, o nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, surge como peça central nas delações.

Os depoimentos foram prestados por Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador do INSS, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios da autarquia. Segundo informações que constam na apuração, os ex-dirigentes descreveram como entidades e empresas privadas obtinham autorizações facilitadas para realizar descontos em benefícios previdenciários sem o consentimento dos segurados. O esquema, que operava de forma sistêmica, teria contado com a influência política de integrantes do Centrão para se manter ativo nos últimos anos.

Movimentações financeiras e o papel dos envolvidos

A Polícia Federal identificou um crescimento patrimonial vertiginoso dos principais acusados. Virgílio Oliveira Filho é suspeito de ter recebido R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que operavam as fraudes. Deste montante, cerca de R$ 7,5 milhões teriam sido repassados por firmas controladas por Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", que também negocia termos de delação com as autoridades. A análise financeira revelou que o patrimônio de Virgílio saltou R$ 18,3 milhões, incluindo a aquisição de um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba e a reserva de um imóvel de luxo avaliado em R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú.

Já André Fidelis teria recebido aproximadamente R$ 3,4 milhões em propinas entre os anos de 2023 e 2024. A investigação também atingiu seu filho, Eric Fidelis, que permanece detido. Além de Lulinha, as delações citam Flávia Péres, ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo anterior e esposa do ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, conectando o esquema a diferentes esferas do poder e do mercado financeiro.

No âmbito jurídico, a defesa de Virgílio Oliveira Filho, conduzida pela advogada Izabella Borges, nega a existência de qualquer processo de delação em curso. A defesa de André Fidelis ainda não se pronunciou oficialmente. Enquanto as investigações da Polícia Federal avançam com base nos novos depoimentos, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avalia o pedido de prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias para aprofundar a oitiva dos citados e rastrear o destino final dos recursos desviados.


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