Investigação aponta que vítimas eram rendidas na entrada ou saída de casas e coagidas a fazer transferências; polícia apreendeu duas pistolas e prendeu três
Um homem que se apresenta como presbítero nas redes sociais foi preso no Guarujá, suspeito de chefiar um grupo voltado a roubos a residências. A captura ocorreu na manhã de quarta-feira (25), após investigação iniciada a partir de um assalto recente na cidade, e resultou na prisão de outros dois suspeitos. Com o trio, policiais civis apreenderam duas armas de fogo — uma pistola calibre .380 e outra calibre .45 — ambas com numeração raspada, o que dificulta a rastreabilidade do armamento.
De acordo com o apurado pela Delegacia de Guarujá, a identificação do principal investigado avançou depois que uma das vítimas reconheceu o suspeito por fotografia ao registrar boletim de ocorrência e informou a placa do Hyundai HB20 cinza usado na ação. O veículo, segundo os investigadores, estava em nome do homem apontado como líder. Ainda conforme o relato, sob grave ameaça, a vítima foi constrangida a realizar transferências bancárias; os valores teriam sido direcionados a uma conta vinculada ao suspeito, elemento que reforçou os indícios e embasou o pedido de prisão temporária à Justiça.
Com a ordem judicial em mãos, equipes passaram a monitorar o investigado e tentaram abordá-lo quando ele deixou uma comunidade próxima à Avenida Dom Pedro I, com outros três homens no carro. O motorista não obedeceu à ordem de parada e iniciou fuga. Durante a perseguição, um dos ocupantes desembarcou com o veículo em movimento e correu para uma área de mata, escapando sem identificação confirmada.
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| Armas com numeração suprimida foram apreendidas com suspeitos detidos após perseguição no Guarujá. Foto: Divulgação/Polícia Civil. |
Na sequência, dois suspeitos foram detidos: um deles teria apontado a arma na direção de um investigador e, em seguida, arremessado o armamento em um matagal, onde foi localizado e apreendido. Já dentro do carro, os policiais encontraram a pistola calibre .380. Os presos foram autuados em flagrante por associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e resistência, além do cumprimento do mandado de prisão temporária relacionado ao roubo investigado. A polícia também constatou que um dos detidos tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça em outro processo.
A investigação descreve um modo de agir marcado por logística e escolha de ruas de pouco movimento: o grupo percorreria bairros residenciais, abordando vítimas no momento em que entravam ou saíam de casa, e, após a rendição, passaria a exigir senhas e transferências. Em decisões judiciais recentes no Estado, situações semelhantes têm sido tratadas como contexto de roubo com desdobramentos de constrangimento para movimentação de valores, o que amplia a complexidade da apuração e da responsabilização penal.
No pano de fundo, operações e investigações contra quadrilhas especializadas em residências vêm sendo apontadas como parte de uma estratégia baseada em inteligência policial e monitoramento, com impacto direto na redução desse tipo de ocorrência em algumas áreas do Estado, segundo informações oficiais.
Durante o prazo da prisão temporária — cinco dias, prorrogáveis se necessário — a Delegacia de Guarujá deve tentar identificar o suspeito que fugiu e apurar se o grupo está relacionado a outros assaltos com o mesmo padrão na Baixada Santista.



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