Investigação aponta que suspeito comercializava unidades habitacionais mediante entradas de até R$ 25 mil; Prefeitura e CDHU negam qualquer intermediação
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| Ricardo Correia da Silva é apontado por dezenas de moradores de Guarujá como o responsável por intermediar vendas irregulares de apartamentos populares no bairro Cantagalo. Foto: Reprodução. |
Dezenas de famílias de Guarujá registraram boletins de ocorrência na Delegacia Sede do município entre a noite de sexta-feira (13) e a manhã de sábado, denunciando um suposto esquema de estelionato envolvendo a venda irregular de apartamentos no bairro Cantagalo. O principal suspeito, identificado como Ricardo Correia da Silva, teria desaparecido após receber vultosos valores de entrada sob a promessa de entregar chaves de imóveis vinculados a programas habitacionais públicos.
De acordo com os relatos apresentados à Polícia Civil, o homem se apresentava como corretor de imóveis e alegava possuir autorização para comercializar unidades da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e da Prefeitura de Guarujá. A justificativa utilizada para a venda era de que os imóveis pertenciam a beneficiários contemplados que teriam desistido da posse, permitindo, assim, a revenda das unidades.
As vítimas relatam o pagamento de quantias que variavam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil, com a promessa de que a posse do imóvel ocorreria em um prazo de 60 a 95 dias. Entre os casos registrados está o da confeiteira Bruna Vitória Donato de Almeida, de 25 anos, que transferiu R$ 15 mil via Pix em outubro de 2025 para a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 70 mil. Após sucessivos adiamentos sob justificativas de burocracia interna e recessos de fim de ano, o suspeito interrompeu o contato com os compradores em janeiro, após faltar a uma reunião agendada em frente ao Paço Municipal.
Posicionamento oficial e normas de habitação
Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que técnicos da Secretaria Municipal de Habitação já se reuniram com o grupo de moradores para prestar orientações jurídicas. A administração municipal enfatizou que a comercialização de unidades habitacionais subsidiadas por recursos públicos é estritamente proibida por períodos que variam de dois a dez anos após a entrega das chaves. O descumprimento dessa norma pode acarretar a retomada do imóvel pelo poder público.
A CDHU reforçou que não utiliza intermediários, corretores ou representantes particulares para a venda de seus imóveis. O órgão estadual reiterou que todo o processo de seleção é realizado gratuitamente por meio de sorteios públicos eletrônicos ou indicações técnicas diretas das prefeituras. A companhia destacou ainda que nunca solicita pagamentos antecipados, taxas de reserva ou valores de entrada por canais não oficiais.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que analisa o rastreamento das contas bancárias utilizadas para os depósitos. As autoridades orientam que outros cidadãos que tenham realizado transações semelhantes procurem a delegacia para formalizar a denúncia.


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