Facção usava nafta desviada, empresas-fantasma e fintechs apontadas como “bancos paralelos” para movimentar milhões no mercado negro de combustíveis
O rastro do dinheiro sujo levou as autoridades até um esquema pesado de adulteração de combustíveis ligado ao PCC. A operação desencadeada nesta quinta-feira escancarou uma engrenagem milionária que misturava solvente químico, lavagem de dinheiro, empresas de fachada e um rombo brutal nos cofres públicos.
Segundo as investigações, a facção desviava nafta petroquímica — produto destinado à indústria química — para abastecer um mercado clandestino de combustível adulterado na Grande São Paulo. O material era comprado de forma simulada por empresas fantasmas, registradas em nomes de parentes, pessoas vulneráveis e até presos.
No papel, tudo parecia legal. Na prática, o solvente seguia para terminais de armazenamento e acabava misturado ao combustível vendido nos postos ligados ao esquema.
A fraude alimentava uma máquina financeira sofisticada. O dinheiro obtido com a adulteração circulava por fundos de investimento e instituições de pagamento apontadas como parte do núcleo financeiro da organização criminosa. As autoridades identificaram quatro fundos com patrimônio estimado em mais de R$ 205 milhões — valor que teria disparado em pouco mais de um ano.
A ofensiva mobilizou Ministério Público, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Secretaria da Fazenda e forças policiais para cumprir 55 mandados de busca e apreensão. A nova etapa da investigação mira fintechs e empresas suspeitas de operar como engrenagens ocultas da facção no mercado de combustíveis.
A apuração também revelou uma estrutura criada para esconder os verdadeiros operadores do esquema e dificultar o rastreamento do dinheiro. Enquanto o combustível adulterado chegava às bombas, milhões circulavam longe dos olhos do consumidor.
O caso aprofunda o cerco sobre a infiltração do crime organizado em setores estratégicos da economia e expõe como a disputa pelo lucro ilegal avançou para além das ruas e alcançou estruturas financeiras cada vez mais sofisticadas.

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