Implante colocado sob a pele pode liberar o medicamento por até seis meses — e, no futuro, até um ano — na tentativa de reduzir o abandono do tratamento
Uma pequena cápsula implantada sob a pele pode mudar a rotina de milhões de pessoas que convivem com obesidade e diabetes tipo 2. A nova aposta da ciência é um chip capaz de liberar semaglutida continuamente por meses, eliminando a necessidade das aplicações semanais que hoje fazem parte do tratamento.
A tecnologia está sendo desenvolvida pela empresa Vivani Medical e ainda não chegou aos consultórios. O dispositivo permanece em fase de pesquisas, mas desperta atenção por atacar um dos maiores obstáculos enfrentados pelos especialistas: a interrupção precoce do tratamento. Segundo dados apresentados pela empresa, aproximadamente metade dos pacientes não consegue manter o uso correto dos medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1.
O implante é inserido sob a pele durante um procedimento ambulatorial e passa a liberar pequenas doses do medicamento de forma contínua por, no mínimo, seis meses. A expectativa é oferecer um tratamento mais prático e reduzir as falhas causadas pelo esquecimento ou pela dificuldade de manter aplicações frequentes.
Duas versões do dispositivo estão em desenvolvimento. Uma delas é voltada ao controle da obesidade e do peso corporal, enquanto a outra mira o tratamento da diabetes tipo 2.
A plataforma já foi testada em seres humanos utilizando outro medicamento da mesma categoria, a exenatida, em um estudo que alcançou os objetivos previstos de segurança e funcionamento. Com esses resultados, os pesquisadores concentraram esforços na versão com semaglutida.
Nos estudos pré-clínicos, uma única implantação esteve associada a uma perda de peso próxima de 20% ao longo de seis meses. Há ainda indícios de que o sistema possa manter a liberação do medicamento por até um ano, hipótese que depende de confirmação nas próximas etapas da pesquisa.
O primeiro estudo em humanos com o implante de semaglutida está autorizado para começar na Austrália já em 2026. Até que todas as fases clínicas sejam concluídas, o dispositivo segue como uma promessa da medicina, ainda sem aprovação para uso na prática clínica.

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