Homem é preso após enganar sociedade com farsa policial e vida de excessos em Santos
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| O preço da falsidade: objetos e ilícitos apreendidos com o impostor que se passava por policial. A verdade sempre vem à tona. |
Numa trama que mistura luxo, ilegalidade e desfaçatez, um homem de 34 anos, identificado como Hélcio Aurélio Magalhães, teve sua máscara de falsa autoridade arrancada pela mão da lei. A prisão, ocorrida em Santos, desvendou um cenário de pretensão policial e ostentação desmedida que não condiz com a realidade.
O enredo macabro desse falso policial foi desvendado graças a uma denúncia anônima sobre a comercialização de substâncias anabolizantes ilícitas. O desfecho, que parecia roteiro de filme de má qualidade, aconteceu na Avenida Martins Fontes, no bairro Saboó, em Santos, onde Hélcio Aurélio Magalhães foi surpreendido pelas autoridades.
O suspeito, que desfrutava de uma vida regada a luxo, residindo com sua família num apartamento sofisticado em Guarujá, estava longe de ser um investigador legítimo. Embora conduzisse um veículo de alto padrão, avaliado em torno de meio milhão de reais, sua conduta logo se revelou como mera fachada para encobrir atividades criminosas.
A ousadia de Hélcio beirava o absurdo. Munido de anabolizantes, drogas e medicamentos ilegais, o impostor não só desafiava a lei, mas também desafiava a inteligência alheia ao tentar convencer os policiais de sua suposta condição de investigador da Polícia Civil.
A delegada do 2º Distrito Policial (DP) de Santos, Débora Lázaro, descreveu o momento da abordagem como uma cena patética: "Ele saiu do veículo com a arma, que foi apreendida, sob uma das pernas, estava com o bolachão [distintivo] da Polícia Civil e se intitulando investigador". Uma encenação digna de nota, onde o protagonista, além de exibir documentos e distintivos falsificados, ostentava uma pistola 9mm, em completa afronta à legalidade.
Mas a farsa não parava por aí. Hélcio, que acreditava estar acima da lei, portava uma licença vencida para porte de arma, relegando-se à ilegalidade e expondo-se ao peso da justiça. O delegado de Polícia Seccional de Santos, Rubens Barazal Teixeira, não poupou críticas: "A licença dele como CAC [Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador] está vencida. Evidentemente, não houve a renovação [...]. Ele passa, então, a ficar em uma condição de ilegalidade com relação ao porte dessa arma".
Mas afinal, qual seria o propósito dessa farsa? A Polícia Civil, empenhada em desvendar os meandros desse enredo sombrio, busca entender as motivações por trás do disfarce. As investigações apontam para uma busca por vantagens ilícitas, ainda não completamente esclarecidas. Hélcio Aurélio Magalhães, em sua ânsia por poder e status, trilhou o caminho da fraude e da criminalidade.
Diante dos crimes cometidos, o falso investigador enfrentará a justiça. Preso em flagrante, ele responderá por corrupção e adulteração de produtos terapêuticos ou medicinais, falsificação de documento público, uso de documento falso, usurpação de função pública, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Uma lista extensa de transgressões que revela a verdadeira face desse personagem nefasto.
O delegado Rubens Barazal, em um apelo à comunidade, insta qualquer pessoa que tenha tido contato com Hélcio Aurélio Magalhães em suas artimanhas a entrar em contato com as autoridades policiais. O desmascaramento desse impostor serve como alerta para a vigilância constante da sociedade diante de indivíduos que se aproveitam da fragilidade das instituições para perpetrar seus delitos.
Que essa história sirva não apenas como exemplo da astúcia da justiça, mas também como lembrete da importância de mantermos a integridade e a honestidade como pilares fundamentais de nossa sociedade. A máscara pode cair, mas a verdade sempre prevalecerá.


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