Operação em marina de Cubatão revelou logística avançada com rastreadores e flutuadores para ocultação em cascos de navios
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| Agente da Polícia Militar realiza a conferência e abertura dos invólucros utilizados para proteger os tijolos de pasta base de cocaína contra a umidade. Foto: Divulgação/AgênciaSP. |
No último domingo (18), uma ação policial expôs a engrenagem complexa do narcotráfico na Baixada Santista. Em uma operação que uniu patrulhamento tático e inteligência tecnológica, a Polícia Militar interceptou uma carga de 297 quilos de pasta base de cocaína, um golpe financeiro estimado em R$ 32 milhões para as organizações criminosas que utilizam o Porto de Santos como corredor para a Europa.
A dinâmica da apreensão revela o profissionalismo logístico do crime. A droga não estava apenas escondida; ela estava preparada para a engenharia naval clandestina. Envoltos em balões, os 255 tijolos de entorpecente vinham acompanhados de rastreadores, cordas e flutuadores. O objetivo era claro e arriscado: mergulhadores içariam o material para fixá-lo nos cascos de navios de grande porte, técnica conhecida por burlar as fiscalizações tradicionais de convés.
O fio da meada começou no asfalto. Durante patrulhamento de rotina, informações sobre um veículo suspeito acionaram o sistema Muralha Paulista. O monitoramento eletrônico permitiu que os policiais identificassem o trajeto e o responsável pelo automóvel. Embora uma abordagem inicial a três indivíduos não tenha resultado em flagrante imediato, o instinto policial e a persistência investigativa levaram a equipe até o endereço náutico frequentado por um dos suspeitos.
Ao chegarem à marina, os militares confirmaram a denúncia. O porta-malas do carro estacionado guardava o carregamento milionário. No local, um dos homens abordados anteriormente foi preso em flagrante. Ele agora é a peça-chave para que a Polícia Civil, em inquérito aberto por tráfico de drogas e associação criminosa, identifique o restante da rede que financia e opera esse tipo de logística no litoral paulista.
A apreensão não reflete apenas um número nas estatísticas de segurança pública, mas evidencia a constante vigilância necessária em uma região onde a fronteira entre o continente e o mar é, rotineiramente, o alvo de esquemas internacionais de alta rentabilidade e periculosidade.


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