Casal preso na Grande Vitória teria usado sites falsos e identidade forjada para vender armamentos inexistentes; investigação aponta lavagem via criptomoedas
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| Um dos presos aparece no compartimento de detidos de uma viatura, após operação que desarticulou sites falsos de venda de armas. Foto: Reprodução. |
O que parecia uma compra “oportuna” — arma de marca internacional por preço atrativo e promessa de entrega rápida — terminou como armadilha. Policiais e colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) viraram alvo preferencial de um esquema de estelionato digital que, segundo investigadores, não se limitava ao prejuízo financeiro: os dados das vítimas eram repassados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nesta terça-feira (20), um casal foi preso na cidade de Serra, na Grande Vitória (ES), em uma operação conjunta da Polícia Civil capixaba com equipes de São Paulo, incluindo o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa. A apuração aponta que os suspeitos operavam falsos sites de venda de armas, oferecendo modelos de renome e criando a aparência de “negócio sério” — um verniz suficiente para capturar a confiança de quem, por profissão ou prática esportiva, já circula nesse universo.
O método era direto e, justamente por isso, perigoso: anúncios bem montados, marcas reconhecidas e preços convidativos. Mas havia um detalhe determinante, destacado pelos investigadores: o site não existia de fato e as armas anunciadas tampouco. O golpe terminava quando o dinheiro era transferido — e começava o segundo dano, mais silencioso, com a circulação de dados cadastrais das vítimas para uma facção criminosa.
De acordo com a investigação, o casal articulava as falsas vendas em diversos estados. Os suspeitos também são acusados de lavagem de dinheiro, com uso de criptomoedas como rota para dificultar rastreio e bloqueios. Um dos detidos, segundo a polícia, já lembrava o sistema de Justiça: havia sido preso em 2024 por estelionato, obteve tornozeleira eletrônica e, ainda assim, voltou a delinquir — um retrato incômodo de como a reincidência se alimenta da frouxidão dos freios.
Durante a prisão, celulares e aparelhos eletrônicos foram apreendidos e serão periciados. Para os investigadores, a análise desse material é peça-chave para dimensionar o alcance da rede, mapear vítimas e identificar possíveis conexões.


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