Após rupturas estruturais, início das obras no edifício evacuado levanta dúvidas sobre responsabilidade e segurança dos moradores
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| Edifício Giovannina Sarane Galavoti: símbolo da negligência urbana em Praia Grande. Autoridades agem tardiamente diante do risco iminente à vida dos moradores. |
A Prefeitura de Praia Grande, em um movimento que mistura urgência e negligência, anunciou nesta terça-feira (20) a emissão do alvará que autoriza o início das obras de recuperação emergencial do Edifício Giovannina Sarane Galavoti. Este, cabe ressaltar, teve de ser evacuado após a identificação de três pilares de sustentação com rupturas estruturais. A medida, embora apresentada como solução, levanta questões cruciais sobre responsabilidade, segurança e transparência para os cidadãos afetados.
As obras, que supostamente visam à restauração das estruturas danificadas em todos os pavimentos afetados, estão prestes a se iniciar. Contudo, o edifício continua sob interdição total, transformando-se em um monumento à ineficiência e ao descaso administrativo. O anúncio do alvará, segundo a prefeitura, só ocorreu após uma análise técnica meticulosa por profissionais do ramo. No entanto, a pergunta que ecoa é: por que somente agora? Por que a situação chegou a esse ponto crítico sem intervenção prévia?
É importante ressaltar que a responsabilidade documental foi atribuída à construtora/condomínio, deixando uma lacuna significativa sobre o papel da administração municipal no monitoramento e na fiscalização das obras e da segurança estrutural dos edifícios da cidade. Afinal, cabe à prefeitura garantir a segurança e o bem-estar de seus cidadãos, especialmente em contextos tão sensíveis quanto esse.
O escoramento emergencial, composto por mais de duas mil escoras metálicas, foi concluído também nesta terça-feira. Todavia, esse esforço hercúleo não pode mascarar a gravidade da situação. O objetivo declarado é reduzir a carga estrutural sobre os pilares danificados, mas resta saber se essas medidas são suficientes para garantir a segurança das pessoas que um dia chamaram aquele edifício de lar.
Enquanto isso, os moradores, deslocados e ansiosos, foram autorizados a retornar aos apartamentos para resgatar itens pessoais. Uma cena que evoca não apenas o desamparo, mas também a falta de planejamento para lidar com situações de emergência desse porte. A subida controlada, coordenada pela Defesa Civil municipal e pelo Corpo de Bombeiros, é apenas um paliativo para um problema que parece transcender a capacidade administrativa local.
A gestão municipal assegura que o edifício está sendo monitorado constantemente, mas a palavra "constante" parece ser uma relativa interpretação dos fatos. Enquanto isso, a maioria das famílias afetadas é forçada a encontrar abrigo temporário na casa de parentes, vendo seus lares transformados em zonas de perigo iminente.
O Edifício Giovannina Sarane Galavoti, composto por 23 pavimentos, além do subsolo, abriga 133 apartamentos, dos quais 80 são moradias permanentes. Cerca de 250 pessoas residem continuamente neste local. São vidas, lares e histórias, agora suspensos em um limbo de incerteza e insegurança, enquanto as autoridades tentam remediar uma situação que, no mínimo, levanta sérias dúvidas sobre a qualidade da gestão pública e o compromisso com o bem-estar da população.
Portanto, enquanto o concreto se ergue nas obras emergenciais, é a confiança da comunidade que parece estar desmoronando. E fica a questão: quantos edifícios mais precisarão apresentar rachaduras antes que medidas efetivas de prevenção e fiscalização sejam implementadas? A resposta a essa pergunta pode ser a diferença entre a segurança e a tragédia.


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