Família denuncia tortura e mutilação em mais uma ação policial na Baixada Santista
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| José Marcelo Neves dos Santos: mais do que uma vítima da violência policial, um símbolo da luta por justiça e verdade. Sua história não pode ser esquecida. |
Na esteira de uma operação policial marcada pela violência e controvérsias, a Baixada Santista se vê envolto em mais um episódio nebuloso, onde a sombra da brutalidade policial paira sobre a morte de José Marcelo Neves dos Santos, comerciante de 32 anos, que deixou para trás uma esposa e três filhos. Sob a égide da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), o homem foi alvejado fatalmente durante a Operação Verão, no bairro Alemoa, em Santos. No entanto, o desfecho trágico da vida de José Marcelo está longe de ser claro, conforme as alegações de sua família, que apontam para um desfecho ainda mais sinistro: tortura e mutilação.
A narrativa oficial apresentada pelas autoridades policiais pinta um quadro de confronto, onde José Marcelo é retratado como um suspeito armado e agressivo. De acordo com o boletim de ocorrência, a abordagem se deu após o indivíduo demonstrar nervosismo ao avistar a presença policial. O desenrolar dos eventos, segundo o relato policial, culminou em um confronto armado, no qual José Marcelo teria atirado contra os agentes, resultando em uma troca de tiros fatal para o comerciante.
Entretanto, a versão apresentada pela família lança uma sombra de dúvida sobre a narrativa oficial. Mayara dos Santos, irmã da vítima, clama por justiça e afirma veementemente que José Marcelo não possuía envolvimento com o crime e estava desarmado no momento da abordagem fatal. Mais do que isso, ela relata um cenário de horror, onde seu irmão teria sido submetido a tortura e mutilação antes de ser morto.
Segundo Mayara, o corpo de José Marcelo apresentava marcas de espancamento e perfurações por faca, além de terem sido arrancadas tatuagens de seu corpo. A jovem não hesita em denunciar a brutalidade dos agentes, relatando que uma das tatuagens removidas é a do desenho de um palhaço, interpretado pelas autoridades como símbolo de violência. A família, consternada, clama por uma investigação rigorosa dos fatos e afirma que os ferimentos no corpo da vítima contradizem frontalmente os relatos prestados pelos policiais.
O desfecho trágico da vida de José Marcelo não se restringe apenas à sua morte. A família, desesperada, relata a angústia de não ter sido informada sobre o ocorrido, buscando incansavelmente por seu paradeiro antes de serem confrontados com a dolorosa realidade no Instituto Médico Legal (IML). José Marcelo deixa para trás não apenas uma esposa e três filhos, mas também uma história marcada pela superação de adversidades, tendo trabalhado em diferentes áreas e deixado para trás o vício das drogas após um período de detenção.
A morte de José Marcelo Neves dos Santos não pode ser tratada como apenas mais um número nas estatísticas policiais. Sua história, envolta em controvérsias e dor, clama por justiça e por uma investigação imparcial dos fatos. A Baixada Santista não pode se tornar palco para a barbárie e impunidade. A voz da família clama por respostas, por verdade e por um futuro onde a brutalidade policial não seja mais uma sombra pairando sobre as vidas dos cidadãos.


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