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Correios acumulam déficit bilionário e representam metade do rombo das estatais federais em 2024

Impacto financeiro dos Correios reforça preocupação sobre a saúde econômica das estatais e acende alerta no governo

Correios: estatal líder em déficit no setor público federal em 2024. Foto: Agência Brasil.

Os Correios se destacam como a principal estatal a contribuir para o expressivo déficit registrado pelo setor público federal em 2024. Dados divulgados pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI) apontam que a empresa encerrou o ano com um prejuízo acumulado de R$ 2,13 bilhões. Quando somados aos mais de R$ 830 milhões investidos ao longo do período, o rombo total da estatal alcança R$ 3,2 bilhões.

Esse resultado faz com que os Correios sejam responsáveis por aproximadamente 50% do déficit de todas as empresas estatais federais que entraram no cálculo orçamentário. No total, as 20 estatais federais consideradas acumularam um déficit de R$ 6,3 bilhões em 2024, excluindo do cálculo companhias de grande porte como Petrobras e Banco do Brasil.

A Emgepron, estatal voltada para projetos navais e militares, aparece em segundo lugar na lista das empresas mais deficitárias, com um rombo de R$ 1,9 bilhão. Outras empresas que também preocupam o governo incluem a Infraero, que administra aeroportos e apresentou um saldo negativo de R$ 188 milhões, e a Casa da Moeda, que registrou investimentos da ordem de R$ 133 milhões.

No geral, o resultado primário das estatais federais apresentou um déficit de R$ 4,04 bilhões em 2024, considerando as companhias que fazem parte da meta fiscal estipulada pelo governo. O Ministério da Gestão e Inovação, porém, ressalta que grande parte desses déficits se deve às necessidades de investimento das estatais e não necessariamente a prejuízos operacionais.

Em nota oficial, o MGI afirmou que os números apresentados "ratificam a avaliação de que os déficits registrados pela maior parte das estatais no resultado primário são, em grande parte, decorrentes dos investimentos realizados pelas empresas e não de prejuízos". No entanto, a própria pasta reconhece que o déficit dos Correios teve um peso significativo no resultado geral.

O Ministério também destacou que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 autorizou um déficit de até R$ 7,3 bilhões para as estatais federais, valor que engloba diferentes fatores, incluindo os investimentos realizados no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os resultados primários de grupos como a ENBPar, que apresentou um déficit de R$ 463,13 milhões, e a Petrobras, que obteve um superávit de R$ 45,2 bilhões.

O relatório divulgado pelo MGI também revelou que o volume de investimentos das empresas estatais federais cresceu 44,1% em 2024 na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 96,18 bilhões. Em relação a 2022, o crescimento foi ainda mais expressivo, atingindo 87,2%.

O Banco Central está programado para divulgar os resultados oficiais das estatais federais na próxima sexta-feira (31). Dados preliminares indicam que, até novembro de 2024, o saldo negativo já alcançava R$ 6 bilhões, com um prejuízo mensal de R$ 1,6 bilhão registrado apenas em novembro.

Apesar dos números expressivos, as autoridades mantêm uma postura cautelosa sobre os impactos desse déficit para as contas públicas, reiterando que a autorização para déficit prevista na LDO visa garantir espaço fiscal para investimentos estratégicos. A evolução dos resultados será acompanhada de perto nos próximos meses, especialmente considerando o peso das estatais na economia nacional.



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