A prisão ocorreu após o suspeito ser flagrado pilotando uma motocicleta furtada que ostentava uma placa falsa, revelando um cenário de receptação e adulteração
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| Abordagem policial culminou na prisão do suspeito e apreensão da motocicleta furtada com placa adulterada em Santos. Foto: Divulgação/Policia Civil. |
A ação policial, desencadeada por uma denúncia anônima na última quarta-feira (28), direcionou as equipes da 3ª Companhia do 6º BPM/I ao Morro do São Bento. A informação crucial indicava a circulação de uma motocicleta Yamaha preta, produto de furto. Em patrulhamento estratégico pela região, os policiais avistaram dois indivíduos a bordo de um veículo com as características descritas.
A abordagem tática na Rua Santo Orlando culminou na interceptação da motocicleta, que era conduzida por Walter Levy Oliveira de Jesus Araújo, o principal alvo da operação. O passageiro que o acompanhava conseguiu evadir-se do local em fuga a pé, frustrando, momentaneamente, a identificação de um possível cúmplice.
A confirmação da ilicitude da motocicleta veio através da minuciosa verificação do chassi. Os policiais militares constataram que a Yamaha Fazer 250, ano 2018, havia sido subtraída em 14 de fevereiro e já portava uma placa veicular adulterada, um indício claro da tentativa de ocultar sua origem criminosa e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Durante a revista pessoal, os agentes encontraram em posse de Walter três aparelhos celulares, dentre eles um iPhone 12 com registro de furto datado do ano anterior. Questionado sobre a procedência do smartphone no 1º Distrito Policial de Santos, o acusado transferiu a responsabilidade para o indivíduo que conseguiu escapar, alegando que o aparelho pertencia ao fugitivo.
Em relação à motocicleta, a versão apresentada por Walter buscou eximir sua culpa. Ele declarou ter adquirido o veículo de um desconhecido na cidade de Peruíbe, no final de 2024, desembolsando a quantia de R$ 4,5 mil. Um valor significativamente inferior ao preço de mercado da Yamaha Fazer 250, avaliada em R$ 17,7 mil pela tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Diante da disparidade de valores, a alegação de Walter de que desconhecia a origem ilícita da moto soa, no mínimo, ingênua para as autoridades policiais. Segundo seu depoimento, o vendedor justificou o preço abaixo do mercado com supostos "problemas na documentação" do veículo, uma tática frequentemente utilizada para ludibriar compradores incautos ou coniventes com atividades criminosas.
Enquanto o delegado Sérgio Lemos Nassur formalizava a prisão em flagrante de Walter pelos crimes de receptação (Artigo 180 do Código Penal) e adulteração de sinal identificador de veículo automotor (Artigo 311 do Código Penal), a equipe de investigação realizava as diligências de praxe. Foi nesse momento que veio à tona a informação crucial: um mandado de prisão temporária, com validade de cinco dias, havia sido expedido contra Walter em 7 de abril pelo juízo da Vara Regional das Garantias da 7ª Região Administrativa Judiciária (RAJ) de Santos, em decorrência de sua participação em um caso de roubo qualificado.
A Polícia Civil agora se debruça sobre as informações colhidas para identificar o indivíduo que fugiu e aprofundar as investigações sobre o esquema de furto e revenda de veículos na Baixada Santista, buscando desmantelar possíveis organizações criminosas envolvidas nessas atividades. A captura de Walter, portanto, representa um passo importante, mas a engrenagem do crime organizado exige uma vigilância constante e ações policiais coordenadas para ser efetivamente combatida.


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