Numa demonstração de força e estratégia, o MP e a tropa de elite da PM paulista fecharam o cerco contra o crime organizado
![]() |
| Homens da Rota participam de preleção antes do início da Operação Chan Hol, uma ofensiva estratégica para desarticular o poder de facções criminosas na Baixada Santista. Foto: Divulgação/MP-SP. |
A madrugada da última quarta-feira (11) na Baixada Santista foi rompida não pelo som das ondas, mas pelo ronco dos motores e pelo movimento tático de dezenas de viaturas. Desencadeada em um esforço conjunto e meticulosamente planejado, a Operação Chan Hol emergiu como o mais recente e robusto capítulo na batalha do Estado contra as facções criminosas que buscam fincar suas raízes em áreas vulneráveis da região. Sob o comando do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do seu braço de inteligência digital, o CyberGaeco, a ação contou com o poder de fogo e a expertise do 1º Batalhão de Polícia de Choque, a temida Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).
O objetivo, claro e direto, foi anunciado pelas autoridades: asfixiar a tentativa de domínio territorial imposta por grupos criminosos que, por meio da violência explícita e do uso de armamento pesado, subjugam moradores e ditam as leis do silêncio e do medo. A operação visou o cumprimento de uma série de mandados judiciais de busca e apreensão, mirando alvos específicos, previamente mapeados por um sofisticado trabalho de investigação que mergulhou no submundo digital e físico dessas organizações.
Para a incursão em campo, um contingente expressivo foi mobilizado. Ao todo, 31 equipes da Rota, unidade notória por sua atuação em situações de alto risco, foram empregadas na missão. O apoio do Canil da Polícia Militar adicionou um elemento crucial à busca por entorpecentes e materiais ilícitos, farejando pistas que olhos humanos poderiam ignorar. A participação de especialistas do MP-SP na coleta de provas digitais em tempo real durante as buscas evidenciou a nova fronteira do combate ao crime: a desarticulação de esquemas que se valem tanto da força bruta nas vielas quanto da comunicação criptografada em redes virtuais.
A escolha do nome "Chan Hol", embora não detalhada oficialmente, remete a um sistema de cavernas subaquáticas no México, sugerindo uma metáfora para a complexidade e a profundidade das redes criminosas investigadas – um labirinto de difícil acesso que as autoridades agora se empenham em desvendar e neutralizar.
Até a presente data, um manto de sigilo ainda cobre os resultados concretos da Operação Chan Hol. O Ministério Público, em postura estratégica, não divulgou o balanço de prisões, a quantidade de drogas ou o número de armas apreendidas. A ausência de um comunicado oficial com o saldo da ofensiva alimenta a narrativa de que a operação pode ter desdobramentos, com a análise das provas coletadas – celulares, documentos e outros dispositivos eletrônicos – abrindo novas frentes de investigação.
A expectativa na Baixada Santista é palpável. Moradores de comunidades frequentemente acuadas pelo poder paralelo aguardam os efeitos práticos da ação, enquanto as forças de segurança analisam o vasto material apreendido. O silêncio das autoridades não é sinal de inércia, mas sim a calma calculada que antecede os próximos movimentos neste intrincado tabuleiro de xadrez, onde cada peça movida pode significar a retomada da paz e da ordem em uma das mais importantes e desafiadoras regiões do estado de São Paulo.


0 Comentários