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Areia da Serra do Mar liga secretário de Praia Grande a investigação da PF

Valdir Pereira Ramos Filho é apontado como elo em suposto esquema de extração ilegal de areia ligada a obra do PAC

Valdir Pereira Ramos Filho, secretário de Meio Ambiente de Praia Grande, alvo de investigação federal sobre extração ilegal de areia. Foto: Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande.

Uma investigação da Polícia Federal volta a colocar o litoral paulista no centro de um caso que mistura poder público, meio ambiente e milhões em investimentos federais. O secretário de Meio Ambiente de Praia Grande, Valdir Pereira Ramos Filho, tornou-se alvo da Operação Minério sob suspeita de ter facilitado licenças que permitiram a extração ilegal de areia usada na construção da Vila dos Pescadores, em Cubatão, obra financiada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento.

A apuração começou a partir de uma denúncia anônima: Ramos Filho, quando atuava como gerente da Agência Ambiental de Santos da Cetesb, teria auxiliado a mineradora Aguiar & Sartori a acessar uma área de preservação ambiental no Parque Estadual da Serra do Mar, em São Vicente. O local é protegido por lei e integra um dos principais pulmões ecológicos do Estado. Antes mesmo de assumir o cargo na Cetesb, o engenheiro já havia assinado um pedido de licença ambiental em nome da mineradora, fato que reforçou a suspeita de proximidade entre o então técnico e a empresa investigada.

Segundo a PF, a areia extraída ilegalmente era transportada até a pedreira Maria Tereza, também em São Vicente, onde recebia notas fiscais emitidas pelo Grupo Rubão. O suposto truque funcionava como cortina de fumaça para indicar que o minério vinha da pedreira, embora a origem verdadeira fosse a unidade de conservação. A carga seria então vendida para a Terracom, responsável pela obra do PAC.

A investigação ainda aponta vínculos trabalhistas entre o proprietário da Aguiar & Sartori e o Grupo Rubão, sugerindo que a mineradora serviria como empresa de fachada dentro de uma engrenagem empresarial única. A PF tenta comprovar se o esquema abasteceu parte de um contrato público de R$ 200 milhões, enquanto o meio ambiente pagava a conta oculta.

Em nota, a prefeitura de Praia Grande se afastou do caso, afirmando que acompanha o inquérito e que os fatos estão ligados à atuação do secretário na Cetesb, e não ao governo municipal. Mesmo assim, o episódio ganha peso ao coincidir com o avanço do secretário sobre novos poderes ambientais: neste mês, ele obteve autorização para municipalizar o licenciamento ambiental, transferindo para Praia Grande a autonomia de liberar projetos de alto impacto, função antes restrita ao Estado.

Enquanto o inquérito segue, a população observa mais um capítulo de suspeitas envolvendo gestores públicos e contratos milionários que deveriam servir ao desenvolvimento do litoral.


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