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Homem é preso ao cobrar “mensalidade” para parar ataques a trens na Baixada Santista

Suspeito oferecia "serviço" de proteção a ferroviária após série de incêndios em vagões entre São Vicente e Cubatão

Suspeito de extorquir representantes da empresa ferroviária é abordado pela Polícia Civil enquanto aguardava reunião em mesa da praça de alimentação de um shopping. Foto: Reprodução.

Durante um encontro aparentemente banal em uma praça de alimentação de shopping, a Polícia Civil colocou fim a uma sequência de ataques que vinha preocupando uma empresa ferroviária e moradores de áreas próximas à linha férrea entre São Vicente e Cubatão, na Baixada Santista. Foi ali que um homem de 39 anos acabou preso em flagrante ao cobrar uma espécie de “mensalidade” para interromper ações criminosas contra trens carregados com celulose.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o suspeito vinha mantendo contato com representantes da empresa por mensagens de celular. Nas conversas, ele se apresentava como alguém capaz de “resolver o problema” dos ataques, desde que recebesse um valor fixo mensal. A proposta não era de segurança privada, mas de chantagem: o pagamento serviria para que os crimes simplesmente deixassem de acontecer.

As ocorrências já eram alvo de investigação da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (Dig) da Deic de Santos. Ao longo dos últimos meses, pelo menos cinco ataques foram registrados entre São Vicente e Cubatão. Os criminosos danificavam locomotivas cortando mangueiras de ar, furtando cabos de energia e sabotando sistemas, muitas vezes para ter acesso aos vagões e furtar a carga de celulose.

A escalada da violência veio a partir de outubro, quando o grupo passou a incendiar vagões – alguns ainda em movimento. Em um dos episódios mais graves, na madrugada de 27 de novembro, 13 vagões foram atingidos enquanto o trem seguia pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni, no trecho entre São Vicente e Cubatão. A ocorrência mobilizou equipes por mais de doze horas, escancarando o risco de um desastre ferroviário de grandes proporções, inclusive para quem vive nas imediações dos trilhos.

Nos dias 7 e 21 de novembro e 23 e 24 de outubro, outros incêndios em cargas de celulose da empresa Rumo Logística já haviam sido registrados e atendidos pelo Corpo de Bombeiros. A repetição dos casos acendeu o alerta das autoridades e reforçou a suspeita de ação articulada, com organização e divisão de tarefas.

Em meio a esse cenário, o homem preso teria oferecido uma espécie de “garantia” à empresa: prometeu que, durante uma semana, não haveria novas ocorrências, como forma de provar que tinha influência e controle sobre o grupo responsável pelos ataques. A proposta serviu também para sustentar a investigação e preparar o flagrante.

Na quinta-feira (4), equipes da 5ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat) acompanharam o encontro marcado em um shopping, onde ele voltou a oferecer o “serviço” de interrupção dos ataques em troca de pagamento. A negociação, porém, terminou com sua prisão.

Conduzido à sede da 5ª Disccpat, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o suspeito permaneceu detido e à disposição da Justiça. O caso foi registrado como extorsão, associação criminosa e perigo de desastre ferroviário.


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