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Cocaína escondida em carga de açaí é apreendida antes de seguir do Porto de Santos para a Austrália

Receita e Polícia Federal interceptam 46 kg de droga em contêiner refrigerado com 22 toneladas de açaí congelado, que teria como destino o porto de Melbourne

Cocaína apreendida pela Receita Federal e Polícia Federal é exibida ao lado da carga de açaí congelado interceptada no Porto de Santos antes de seguir para a Austrália. Foto: Divulgação/Receita Federal do Brasil.

O que deveria ser apenas mais um embarque de alimentos congelados para o mercado internacional acabou revelando, mais uma vez, o uso do Porto de Santos como rota do tráfico internacional de drogas. Nesta sexta-feira, 5, a Receita Federal frustrou a tentativa de envio ao exterior de 46 quilos de cocaína escondidos em um contêiner refrigerado carregado com 22 toneladas de açaí congelado.

A droga não estava misturada à carga, mas cuidadosamente ocultada na estrutura do contêiner, em um compartimento reservado aos componentes de refrigeração. O destino final do equipamento seria o porto de Melbourne, na Austrália, rota em que o quilo da cocaína pode alcançar valor até cinco vezes maior do que o praticado na Europa, segundo dados da própria Receita Federal.

Na prática, isso significa que, para gerar o mesmo montante financeiro no mercado europeu, os criminosos teriam de enviar mais de 200 quilos de cocaína. A diferença de preço ajuda a explicar o interesse de organizações criminosas em arriscar operações longas e complexas, usando a estrutura de um dos maiores portos da América Latina para tentar driblar a fiscalização.

A carga suspeita foi selecionada a partir de técnicas de análise e gerenciamento de risco adotadas pela Receita no complexo portuário santista. Na etapa de verificação física, dois cães farejadores atuaram na inspeção do contêiner e sinalizaram positivamente para a presença de entorpecentes, direcionando os agentes para o ponto exato onde a cocaína estava escondida.

De acordo com a Receita Federal, o monitoramento é permanente e visa, ao mesmo tempo, garantir a agilidade do comércio exterior e coibir ilícitos aduaneiros. As ferramentas de seleção e fiscalização são aplicadas tanto em cargas de exportação, nas quais o principal foco é o envio de drogas, quanto em importações, em que predominam mercadorias falsificadas e outras irregularidades.

Após a confirmação da contaminação do contêiner com a droga, a Polícia Federal foi acionada para adotar os procedimentos de polícia judiciária da União. O inquérito deverá buscar a identificação dos responsáveis pela tentativa de envio da cocaína, desde a origem da carga até eventuais articuladores dentro e fora do País.


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