Delegado percebe contradições e investigação desmonta farsa montada após o crime de feminicídio
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| Cena mostra o corpo da vítima já sem vida no chão da casa, com a imagem desfocada para preservar a sensibilidade do conteúdo. Foto: Reprodução. |
A madrugada na Rua Ibrahin Abdalla Set El Banat, no bairro Rio Branco, rompeu-se com uma ocorrência que, a princípio, parecia mais um chamado de morte suspeita. Minutos após a chegada da Polícia Militar, porém, o cenário começou a revelar fissuras que sugeriam algo bem mais grave. José Carlos de Almeida, de 46 anos, dizia que a companheira, Elaine Cristina Felix da Silva, de 50, havia tirado a própria vida após um surto. Bastou um olhar mais atento para que essa versão começasse a ruir.
Segundo o relato inicial, Elaine teria chegado embriagada, atacado o parceiro com uma faca no pescoço e, em seguida, golpeado a si mesma. No entanto, o delegado de plantão, Rogério Nunes Pezzuol, desconfiou da dinâmica apresentada e determinou que nada fosse concluído sem a completa elucidação dos fatos. A perícia, ainda preliminar, não conseguia sustentar o que o suspeito afirmava.
As dúvidas cresceram quando familiares da vítima relataram que ela era destra, incompatível com a disposição e profundidade das lesões encontradas. A equipe técnica reforçou essa inconsistência e, diante do cerco se fechando, Almeida confessou: matou Elaine e tentou forjar uma cena de suicídio para escapar da responsabilização.
Após o crime, ele ainda teria tentado tirar a própria vida, segundo apurou a polícia. O homem foi socorrido pelo Samu com um ferimento superficial no pescoço e encaminhado ao Hospital do Vicentino. A defesa dele não foi localizada até a publicação desta reportagem, e o espaço permanece aberto.
Com a confissão, o registro policial foi atualizado e Almeida acabou autuado em flagrante por feminicídio. A Delegacia de Defesa da Mulher de São Vicente assumiu a investigação, que segue aguardando laudos complementares para fechar todas as circunstâncias.
Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que o Samu confirmou o óbito da vítima no local e providenciou o atendimento médico ao agressor. A Secretaria de Saúde reforçou que o estado clínico do suspeito é protegido por sigilo médico, conforme determina o Código de Ética.


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