Porta-malas abarrotado de galões e combustível retirado de vagões expõem vulnerabilidade da malha ferroviária na Estrada do Paratinga
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| Porta-malas do Gol usado no crime, abarrotado de galões plásticos cheios de diesel furtado de vagões ferroviários na Estrada do Paratinga, em São Vicente. Foto: Polícia Militar. |
A madrugada de segunda-feira, 1º, terminou em flagrante policial na Estrada do Paratinga, em São Vicente. Em meio à escuridão e ao trânsito quase inexistente, uma equipe da Polícia Militar que realizava operação na região desconfiou de um Volkswagen Gol branco que seguia em direção ao acesso da rodovia e decidiu fazer a abordagem. O que parecia ser apenas mais uma fiscalização de rotina revelou um esquema de furto de combustível em vagões ferroviários.
Ao parar o veículo, os policiais se depararam com dois homens em atitude suspeita. A checagem inicial dos documentos foi rapidamente substituída por uma vistoria mais detalhada. No porta-malas, a cena falava por si: diversos galões plásticos, cheios, organizados de forma improvisada, exalando o forte cheiro de diesel. Somados, os recipientes continham cerca de 210 litros de combustível.
Segundo a própria equipe policial, os galões tinham origem em furto de vagões de trem que cruzam a região. O diesel, que deveria abastecer a operação ferroviária, acabava desviando para o crime, transformado em mercadoria clandestina, longe de qualquer controle fiscal ou padrão de segurança. Não se trata apenas de “alguns galões”: a prática causa prejuízo às empresas, ameaça a integridade das composições e coloca em risco quem vive nos arredores da linha férrea.
A suspeita de crime patrimonial se confirmou de forma ainda mais contundente quando, em consulta ao sistema, os policiais constataram que o próprio veículo utilizado na ação também constava como produto de furto. Ou seja, a dupla circulava pela cidade em um carro roubado, carregando combustível igualmente furtado, numa combinação que revela o grau de ousadia – e de sensação de impunidade – que ainda marca parte da criminalidade na Baixada Santista.
O caso foi levado ao Distrito Policial Sede de São Vicente, onde a ocorrência foi registrada. Os dois homens acabaram presos e permaneceram à disposição da Justiça. Agora, caberá à investigação aprofundar a cadeia por trás desse tipo de crime: quem compra esse combustível, se há outros envolvidos no desvio de diesel dos vagões e se existe uma rotina de atuação nesse trecho da malha ferroviária.


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