Dois anos após a morte do influenciador, promotores apontam lacunas no inquérito e reabertura passa a considerar instigação ao suicídio e até hipótese de homicídio
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| PC Siqueira em registro feito ainda em vida; caso sobre sua morte será reaberto para nova apuração. Foto: Reprodução/Internet. |
A morte de PC Siqueira, um dos rostos mais conhecidos da primeira geração do YouTube brasileiro, voltará ao centro de uma investigação policial em São Paulo. Dois anos após o influenciador Paulo Cezar Goulart Siqueira ser encontrado sem vida em seu apartamento, em 27 de dezembro de 2023, a Justiça determinou que a Polícia Civil retome o caso, agora sob novas diretrizes e com um olhar mais desconfiado sobre o que, até aqui, foi tratado como desfecho definitivo.
A reabertura ocorre após solicitação do Ministério Público, que não aceitou como ponto final a conclusão do inquérito que apontou suicídio. Para os promotores, o conjunto de laudos e depoimentos reunidos à época não encerra as perguntas essenciais do episódio — e, em vez de dissipar dúvidas, pode ter cristalizado prematuramente uma versão. Com isso, as autoridades passam a trabalhar também com as hipóteses de instigação ao suicídio e até mesmo homicídio, ampliando o espectro de análise e elevando o nível de responsabilidade sobre cada etapa pericial já realizada.
Entre as primeiras medidas previstas está a reescuta de personagens-chave do entorno imediato do caso. A ex-namorada, apontada como testemunha do momento da morte, além de uma vizinha e do síndico do prédio, serão intimados para novos depoimentos. A decisão judicial também abre caminho para uma nova perícia e para a reconstituição do ocorrido, um procedimento que costuma ser acionado quando a cronologia e a dinâmica dos fatos ainda não se encaixam com segurança.
O laudo do Instituto Médico Legal elaborado na ocasião registrou como causa da morte “asfixia mecânica por enforcamento”. O mesmo documento apontou a presença de traços de cocaína e de medicamentos no organismo, porém sem relação direta com o óbito, segundo a análise oficial. A família, entretanto, passou a contestar resultados e rumos da apuração, indicando inconformismo com o modo como conclusões foram estabelecidas — o que, agora, ganha respaldo institucional com a decisão de reabrir o inquérito.
A trajetória pública de PC Siqueira ajuda a dimensionar por que o caso permanece sensível e sujeito a escrutínio. Nascido em Guarulhos, na Grande São Paulo, ele se consolidou como uma figura influente na internet ao misturar desabafos pessoais, humor e comentários sobre cultura pop. Em 2011, migrou para a TV e assumiu programas na MTV Brasil, mantendo presença constante no debate digital por anos.
Mas a visibilidade, no seu caso, também teve um custo alto. A partir do início de 2020, acusações on-line envolvendo consumo de pornografia infantil atingiram sua reputação e impactaram contratos e audiência. Uma investigação não encontrou provas, porém o estigma permaneceu. Em março de 2023, meses antes de sua morte, ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros após uma tentativa de suicídio, um registro que expõe um histórico de vulnerabilidade e torna ainda mais delicado qualquer fechamento apressado.
O que está em jogo, agora, não é apenas esclarecer como PC Siqueira morreu, mas demonstrar que a apuração não pode se apoiar em certezas frágeis quando a consequência é irreversível.


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