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Abordagem da GCM no viaduto do Samambaia termina em luta corporal e reacende debate sobre uso da força em Praia Grande

Flagra mostra guardas imobilizando homem após suposta desobediência; ausência de versão oficial alimenta suspeitas

Guardas civis municipais tentam imobilizar homem durante abordagem no viaduto do Samambaia, em Praia Grande, em ocorrência que viralizou nas redes sociais e levanta questionamentos sobre o uso da força. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Um vídeo gravado no viaduto do Samambaia, em Praia Grande, mostra um homem entrando em luta corporal com guardas municipais após uma abordagem de trânsito. As imagens, que se espalharam rapidamente por perfis de notícias regionais nas redes sociais, registram o momento em que agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) cercam o veículo e têm dificuldade para conter o abordado, em plena estrutura que liga bairros e concentra intenso fluxo de carros e ônibus.

Segundo relatos de populares e o que é possível observar no vídeo, o homem teria desobedecido uma ordem de parada e, já cercado pelos guardas, se recusou a desembarcar do veículo. A insistência em permanecer dentro do carro leva a uma escalada de tensão: um dos agentes tenta retirá-lo à força, o que dá início à luta corporal. Outros guardas se aproximam e ajudam a imobilizar o homem, enquanto motoristas reduzem a velocidade e observam a cena à distância.

O registro não mostra o início da abordagem nem o que teria motivado a ordem de parada. Também não há, até o momento, informação pública sobre eventual prisão, encaminhamento à delegacia ou atendimento médico ao homem envolvido. Nas plataformas oficiais consultadas, não foram encontrados comunicados específicos da Prefeitura de Praia Grande ou da própria GCM detalhando a ocorrência no viaduto do Samambaia, o que mantém o episódio envolto em dúvidas e alimenta interpretações desencontradas.

A escolha do local agrava a gravidade da situação. O viaduto do Samambaia é considerado um equipamento viário importante da cidade, ligando bairros e cruzando a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, por onde circulam diariamente milhares de veículos, ciclistas e pedestres. Um confronto físico sobre o asfalto, em meio ao trânsito, coloca em risco não apenas o abordado e os guardas, mas também quem passa pelo trecho naquele momento.

As imagens reacendem um debate delicado: até que ponto o uso da força em abordagens de rotina tem sido proporcional e tecnicamente justificado? Praia Grande já apareceu em reportagens nacionais envolvendo a atuação da GCM, com denúncias de agressões em outras ocorrências, o que elevou a pressão por transparência, treinamento adequado e responsabilização quando há abusos comprovados. 

Isso não significa, por outro lado, que todo uso de força seja automaticamente ilegítimo. Guardas e policiais lidam cotidianamente com situações em que a pessoa abordada reage, tenta fugir ou resiste a cumprir determinações legais. Nesses contextos, a legislação brasileira e os protocolos de segurança pública autorizam o emprego de força progressiva, desde que de maneira controlada, proporcional e sempre sujeita à fiscalização posterior. O que o vídeo escancara é a necessidade de que cada episódio seja documentado, explicado e, se preciso, investigado por corregedorias independentes.

Do ponto de vista da cidadania, o caso expõe outra fragilidade: a informação oficial chega tarde – ou simplesmente não chega. Quando o poder público não apresenta, com rapidez, uma versão clara sobre o que ocorreu, a população fica refém de vídeos editados, legendas inflamadas e comentários nas redes, ambiente em que vítimas e agentes públicos são julgados em minutos, sem qualquer critério técnico. Em um cenário de desconfiança crescente em relação às instituições, esse silêncio institucional só contribui para ampliar o fosso entre moradores e forças de segurança.

O mínimo que se espera, diante das cenas registradas no viaduto do Samambaia, é uma apuração transparente: por que a abordagem foi iniciada, que ordens foram dadas, se houve ou não excesso na contenção do homem e quais medidas serão adotadas para evitar que confrontos em pontos críticos da cidade se transformem em risco generalizado à população. Enquanto essas respostas não vêm, o vídeo segue circulando, e a sensação de que falta controle – tanto nas ruas quanto na comunicação oficial – permanece.


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