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Idosa perde R$ 7,4 mil em golpe do falso bilhete premiado no Gonzaga e mostra vulnerabilidade de idosos em Santos

Golpistas prometeram R$ 100 mil à vítima e a levaram a agências bancárias para “provar” que ela tinha dinheiro na conta

Fachada de agência bancária na Avenida Ana Costa, em Santos, onde parte do dinheiro foi sacado pela idosa antes de perceber que havia caído no golpe do falso bilhete premiado. Foto: Reprodução.

Uma idosa de 69 anos foi alvo do conhecido golpe do falso bilhete premiado e acabou perdendo R$ 7,4 mil, no bairro do Gonzaga, em Santos. O caso, registrado como estelionato, mostra mais uma vez como criminosos seguem explorando a boa-fé – e, muitas vezes, a solidão – de idosos nas ruas da Baixada Santista, apesar de anos de campanhas de alerta.

Segundo o registro policial, a vítima caminhava nas proximidades da Rua República Argentina quando foi abordada por uma mulher que dizia precisar de ajuda para encontrar um escritório de advocacia. A conversa parecia banal, do tipo que pode acontecer em qualquer esquina movimentada do Gonzaga, até que um homem se aproximou e passou a participar da situação, como se fosse um estranho qualquer que “caiu de paraquedas” no diálogo.

A mulher então revelou carregar um suposto bilhete premiado de loteria no valor de R$ 9 milhões. Disse que um escritório de advocacia estaria disposto a pagar apenas R$ 20 mil pelo tal bilhete, o que ela considerava uma injustiça. Ao ouvir a história, tanto a idosa quanto o homem – que, na verdade, fazia parte do golpe – se mostraram indignados com a proposta, reforçando a ideia de que a vítima estava diante de uma “oportunidade imperdível”.

Para deixar a encenação mais convincente, o comparsa simulou uma ligação para um suposto funcionário da Caixa Econômica Federal. Durante a falsa ligação, forneceu nome completo e CPF, sempre em voz alta, para que a idosa ouvisse e acreditasse na legalidade da operação. Ao fim da encenação, garantiu que o bilhete era verdadeiro e que não havia qualquer risco em “ajudar” a desconhecida.

A golpista então afirmou que, para receber o prêmio milionário, precisaria de duas testemunhas e ofereceu R$ 100 mil para cada uma delas – tanto para a idosa quanto para o comparsa. Em troca, exigiu que os dois comprovassem que “não precisavam do dinheiro dela”, apresentando saldo em conta. A lógica era absurda, mas embalada pela promessa de enriquecimento rápido e por uma narrativa bem construída, acabou convencendo a vítima.

O trio seguiu em um veículo branco até uma agência bancária localizada na Avenida Ana Costa. Lá, o homem desceu primeiro e retornou minutos depois dizendo ter saído com R$ 10 mil, como se estivesse apresentando sua “prova de capacidade financeira”. Na sequência, ele levou a idosa até a casa dela, para que pegasse o cartão bancário, e depois a conduziu a uma agência do Banco do Brasil, em local não especificado, onde ela sacou R$ 2,4 mil.

Não satisfeitos, os golpistas ainda a levaram a outra agência do Banco do Brasil, desta vez na própria Avenida Ana Costa, onde a vítima retirou mais R$ 5 mil. Ao todo, R$ 7,4 mil foram entregues diretamente à mulher que dizia estar prestes a receber milhões. A idosa acreditava que aquele dinheiro seria apenas uma “garantia” temporária, que seria devolvida tão logo o prêmio fosse pago.

O desfecho veio quando a dupla levou a vítima novamente até sua residência, sob o pretexto de que ela pegaria uma bolsa para guardar o dinheiro que receberia. Assim que a idosa entrou em casa, os criminosos desapareceram. Quando voltou à rua, não havia mais carro, nem golpistas, nem promessa de R$ 100 mil. Só o prejuízo já consumado e a sensação de ter sido enganada.

O boletim de ocorrência traz a descrição física dos envolvidos, que pode ajudar na identificação. A mulher foi descrita como loira, de aproximadamente 1,50m, cabelo comprido, olhos claros, vestindo calça jeans e blusa azul-marinho, com sotaque da região Sul do país. O homem, por sua vez, seria alto, moreno, de cabelo liso e preto, usando calça jeans, camisa azul-marinho e sapatos.

O caso é investigado pelo delegado Jorge Gonçalves Álvaro Cruz e pela equipe do 7º Distrito Policial de Santos. Mais do que um episódio isolado, o golpe reacende o alerta sobre a vulnerabilidade de pessoas idosas em áreas movimentadas como o Gonzaga, onde a combinação de aparente “normalidade” da abordagem e promessas de dinheiro fácil ainda encontra terreno fértil. Enquanto criminosos seguem aperfeiçoando o teatro, famílias, bancos e poder público parecem continuar um passo atrás na proteção de quem mais precisa de informação e suporte.


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