Família será indenizada após homem passar dias buscando socorro na rede municipal sem receber diagnóstico adequado
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| Paço Municipal de Praia Grande, sede da administração condenada pela Justiça. Foto: Reprodução/Prefeitura de Praia Grande. |
A Justiça de Praia Grande voltou a expor um capítulo sensível da saúde pública local ao condenar o município e a Fundação do ABC a indenizar em R$ 40 mil a família de um homem que morreu após uma série de atendimentos em prontos-socorros da cidade, todos sem diagnóstico preciso. O desfecho, que só chegou quase 14 anos após a morte, reacende o debate sobre a fragilidade da investigação clínica em casos graves.
Entre 1 e 9 de junho de 2011, o paciente procurou diversas unidades de emergência da rede pública com febre alta, dores abdominais, náuseas e dificuldades respiratórias. Segundo o processo, mesmo com o quadro persistente, ele recebeu medicação superficial e foi liberado para casa repetidas vezes, sem exames adequados ou indicação de internação. Morreu no dia 10 de junho, vítima de choque séptico e complicações decorrentes de uma diverticulite perfurada, conforme atestado médico.
A perícia judicial reconheceu que os primeiros atendimentos seguiram protocolos básicos, mas apontou falha decisiva: a ausência de uma tomografia abdominal, exame capaz de identificar o agravamento da infecção que o levou à morte. O perito ainda classificou a alta médica como imprópria diante da gravidade não esclarecida do quadro.
O juiz Enoque Cartaxo de Souza, da Vara da Fazenda Pública de Praia Grande, considerou que o atendimento incompleto e a falta de investigação clínica contribuíram para o desfecho fatal, determinando o pagamento da indenização. Para a família, representada pelo advogado Fabricio Posocco, a decisão chega com alívio tardio após quase 14 anos de espera.
A Fundação do ABC afirmou que foi notificada e que o processo ainda não transitou em julgado. Disse também que está dentro do prazo legal para recorrer e que adotará todas as medidas cabíveis.
A condenação, embora ainda sujeita a recurso, reacende um lembrete incômodo: a importância da precisão e da profundidade médica em atendimentos que não admitem margem de erro.


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