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Violência contra aluna autista expõe falhas na proteção escolar em Guarujá

Menina de 12 anos foi espancada na rua atrás da escola; família denuncia perseguição e criança está traumatizada

Frame do vídeo mostra o momento em que a aluna autista de 12 anos é agredida por outra estudante na rua atrás da escola estadual na Vila Rã, em Guarujá. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Um episódio de extrema violência envolvendo uma estudante autista, de 12 anos, voltou a acender o alerta sobre a segurança de crianças e adolescentes no entorno das escolas públicas da Baixada Santista. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a menina sendo brutalmente agredida por outra aluna na saída de uma escola estadual na Vila Rã, em Guarujá, na última quarta-feira (26).

Nas imagens, a vítima aparece encurralada, sem reagir, enquanto leva socos e chutes sucessivos. A agressão acontece na rua de trás da unidade, próximo à casa da avó da garota, onde a família relata que a outra estudante já vinha “rondando” havia alguns dias. A agressora seria uma adolescente de 13 anos, também aluna da mesma escola, segundo registro policial e relatos divulgados pela imprensa regional.

A mãe da vítima, a cuidadora de idosos Rafaela França, soube do ataque enquanto trabalhava, avisada pela filha mais velha. Ao chegar em casa, encontrou a menina com o rosto bastante inchado e a boca machucada. A criança foi levada ao pronto-socorro para exame de corpo de delito e o caso foi comunicado ao Conselho Tutelar.

Apesar do trauma, a estudante precisou voltar à escola nesta sexta-feira (28) para realizar prova, e deverá retornar novamente na segunda-feira (1º) para completar a avaliação. Depois disso, a família decidiu que ela não voltará mais às aulas presenciais. A direção autorizou que a aluna passe a fazer as atividades em casa, em regime remoto, decisão que, embora amenize o impacto imediato, também escancara o resultado concreto da violência: quem se afasta do ambiente escolar é justamente a vítima.

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirmou que a agressão ocorreu fora do prédio da escola e que, assim que a direção foi informada, as responsáveis foram acionadas e o Conselho Tutelar, chamado. A pasta disse ainda que a menina segue em acompanhamento pelo Centro de Mídias de São Paulo (CMSP) e que o caso foi lançado na plataforma Conviva SP, programa que monitora episódios de violência envolvendo estudantes, além de disponibilizar profissional do “Psicólogos nas Escolas” para atender as alunas, com autorização das famílias.

A Unidade Regional de Ensino (URE) de Santos declarou que repudia qualquer forma de violência e que permanece à disposição da comunidade escolar para esclarecimentos. Na prática, porém, o discurso oficial volta a esbarrar em uma pergunta incômoda e recorrente: por que tantos casos só ganham resposta institucional depois que o vídeo vai parar nas redes sociais?

Quando a vítima é uma criança autista, a gravidade se multiplica. Estudantes com TEA costumam ter dificuldades adicionais de comunicação, sensibilidade aumentada a estímulos e maior risco de serem alvo de intimidação — motivos mais do que suficientes para exigir protocolos reforçados de proteção, acompanhamento e escuta qualificada. No caso de Guarujá, a solução encontrada até aqui foi afastar a aluna do convívio escolar, ao invés de garantir que ela possa circular em segurança no trajeto entre casa e escola.


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