Mortes se aproximam do número da Operação Escudo e geram questionamentos sobre letalidade policial e violações de direitos humanos
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| A morte de um jovem durante um assalto e a pergunta que paira sobre a sociedade. O debate sobre segurança pública, letalidade policial e o papel do Estado. |
A Baixada Santista vive um clima de tensão e incerteza com a Operação Verão, desencadeada após a morte de um policial militar em fevereiro. A ação, que prometia ser a "maior operação de todos os tempos", já acumula 27 mortes de suspeitos em apenas 15 dias, um número que se aproxima dos 28 óbitos da controversa Operação Escudo, deflagrada em 2023.
Embora a Secretaria de Segurança Pública (SSP) justifique as mortes como resultado de "trocas de tiros", familiares e entidades de direitos humanos denunciam execuções sumárias e abusos por parte das forças de segurança. A letalidade policial, a falta de transparência nas ações e a repetição de um modelo que já se mostrou falho geram questionamentos sobre a real efetividade da Operação Verão e seus impactos na segurança pública da região.
Um déjà vu da Operação Escudo:
Em 2023, a Operação Escudo foi implementada após a morte de um soldado da ROTA. A ação, inicialmente focada na captura dos autores do crime, se expandiu para um combate mais abrangente ao tráfico de drogas. O resultado: 28 mortes de suspeitos em 40 dias, alimentando debates acalorados sobre o uso excessivo da força e a fragilidade das investigações.
Reincidência de Mortes e Repressão:
A Operação Verão, tida como uma "nova fase" da Operação Escudo, segue a mesma lógica de repressão e letalidade. Em apenas 15 dias, já foram 27 mortes, incluindo três policiais militares. A SSP justifica os óbitos como "legítima defesa", mas familiares e entidades de direitos humanos contestam essa versão, relatando execuções e abordagens violentas.
Críticas e Violações de Direitos Humanos:
A Operação Verão vem sendo alvo de duras críticas por parte da sociedade civil. A Ouvidoria da Polícia de São Paulo e a Defensoria Pública do Estado acompanham as denúncias de abusos e violações de direitos humanos, como intimidações, agressões e execuções.
Casos Emblemáticos:
* Allan Morais Santos: Sobrinho de um líder do PCC, Allan foi morto pela polícia. A família nega seu envolvimento com o crime organizado.
* Luiz Antônio da Silva Diniz: O jovem de 23 anos teria sido morto com um tiro de fuzil nas costas por um PM. A família contesta a versão da SSP sobre troca de tiros.
* Ruan Araújo: Funcionário da Prefeitura de São Vicente, foi baleado duas vezes por um PM durante um patrulhamento. Desarmado, ele discute com o policial e é alvejado na perna e no tórax.
Falta de Transparência:
A falta de transparência nas ações da Operação Verão gera desconfiança e dificulta a investigação de possíveis abusos. A SSP divulga números absolutos de prisões e apreensões, mas não fornece detalhes sobre as operações que resultaram em mortes, alimentando a suspeita de execuções extrajudiciais.
Impactos na Segurança Pública:
A Operação Verão, apesar de ostensiva, não apresenta resultados comprovados na redução da criminalidade. A letalidade policial, por outro lado, gera um clima de terror nas comunidades, fragiliza a relação entre a população e as autoridades e pode alimentar o ciclo de violência.
Reflexões e Questionamentos:
* A Operação Verão é realmente eficaz na redução da criminalidade ou apenas reprime e violenta as comunidades?
* Até que ponto a letalidade policial é justificável?
* Quais medidas podem ser tomadas para garantir a segurança pública sem violar os direitos humanos?
* Como fortalecer a transparência e a accountability das ações policiais?
A Operação Verão, em sua repetição da Operação Escudo, coloca em xeque o modelo de segurança pública do Estado de São Paulo. É urgente repensar estratégias que priorizem a investigação, a inteligência policial e a integração com as comunidades, buscando soluções que não se limitem à repressão e à violência.
O debate sobre a segurança pública na Baixada Santista está apenas começando. A sociedade civil precisa se mobilizar para exigir um modelo que seja eficaz, justo e respeitoso dos direitos humanos.


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