Suspeito é abatido durante operação policial na Baixada Santista
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| Entorpecentes e arma ilegal apreendidos no desfecho fatal do confronto em São Vicente. A operação policial visa combater o crime na Baixada Santista. |
Na tarde desta quinta-feira (15), em mais um confronto com a Polícia Militar em São Vicente, Ygor Júnior Gonçalves, 31 anos, morreu em troca de tiros com as forças de segurança. O incidente ocorreu na comunidade conhecida como México 70, situada no bairro Vila Margarida. Gonçalves foi atingido por disparos de fuzil e pistola durante uma ação de patrulhamento da Polícia Militar, marcando mais um capítulo sangrento na 3ª Fase da Operação Verão na Baixada Santista.
Desde o início da operação, os números da violência têm crescido de forma alarmante na região, com a contagem macabra de 26 óbitos registrados até o momento. O desfecho fatal de Gonçalves amplia essa triste estatística, levantando questões sobre os métodos empregados pelas forças de segurança durante as incursões nas áreas de alto índice criminal.
Segundo informações obtidas pelo boletim de ocorrência, os policiais realizavam um patrulhamento de rotina na Avenida Brasil, por volta das 16h50, quando avistaram Gonçalves, que ao notar a presença da equipe, empreendeu fuga em direção a um cômodo localizado na Rua 8. Diante da suspeita, os agentes seguiram em perseguição.
No interior do recinto, Gonçalves teria disparado contra os policiais, desencadeando a reação dos mesmos. Um dos PMs respondeu ao ataque com dois disparos de fuzil, enquanto outro efetuou dois tiros com uma pistola. Os projéteis atingiram o suspeito no tórax, levando-o ao solo, onde foi encontrado portando um revólver calibre 38, cuja numeração estava suprimida.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros ao ferido, que foi transportado ao Hospital Vicentino. No entanto, os esforços médicos foram em vão, e Gonçalves veio a óbito em decorrência dos ferimentos.
Dentro do local do confronto, as autoridades encontraram uma variedade de entorpecentes, incluindo cocaína, maconha, crack e ecstasy, além de um rádio comunicador estrategicamente posicionado próximo à janela. Uma perícia minuciosa foi solicitada para investigar o cenário do embate, enquanto as drogas apreendidas serão submetidas a exames técnicos.
As armas utilizadas pelos policiais e pelo suspeito foram apreendidas e encaminhadas ao Instituto de Criminalística (IC) para análise pericial, como parte do protocolo padrão em casos dessa natureza.
O incidente foi registrado no 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente como morte decorrente de intervenção policial, além de envolver as acusações de tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo e legítima defesa por parte dos agentes envolvidos.
A Prefeitura de São Vicente não forneceu informações sobre a atuação do Samu no episódio.
Operação Verão: Balanço e Controvérsias
Ações policiais intensificadas resultam em aumento de prisões, apreensões e confrontos letais na região
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP-SP), desde o início da 3ª Fase da Operação Verão, deflagrada em 7 de fevereiro, foram realizadas 634 prisões de criminosos, incluindo 236 indivíduos procurados pela Justiça.
Em paralelo, as forças policiais também confiscaram mais de 147 quilogramas de substâncias entorpecentes e 72 armas ilegais, destacando-se entre estas os fuzis de uso restrito. Contudo, o sucesso relativo das operações é ofuscado pelo número de confrontos violentos, que resultaram na morte de 26 pessoas.
A comunidade e as autoridades locais permanecem divididas quanto aos métodos empregados pelas forças de segurança, levantando questões sobre a proporção entre o combate à criminalidade e o respeito aos direitos individuais dos cidadãos.
O saldo trágico da Operação Verão expõe a urgência de um debate amplo e transparente sobre as estratégias de segurança pública na Baixada Santista, visando encontrar um equilíbrio entre a preservação da ordem e o respeito aos direitos humanos.


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