Últimas Notícias

8/recent/ticker-posts

Afastado por suspeita de corrupção na saúde, prefeito de Sorocaba vira “vendedor de amendoim” em Praia Grande

Ação beneficente em favor de ONG de apoio ao autismo expõe contradição entre marketing solidário e crise de credibilidade de Rodrigo Manga

Rodrigo Manga, prefeito afastado de Sorocaba por suspeitas de corrupção na saúde, vende amendoim na orla de Praia Grande em ação beneficente para ONG que atende crianças com autismo. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

O fim de semana de sol em Praia Grande teve uma cena inusitada: entre guarda-sóis e cadeiras de plástico, o prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), circulava pela areia vendendo saquinhos de amendoim e exibindo um QR Code para pagamento via PIX. A gravação da abordagem a banhistas viralizou nas redes sociais e logo ganhou repercussão nacional.

Segundo informações, a “ação de verão” tinha caráter beneficente: o dinheiro arrecadado, afirmam os organizadores, será destinado à ONG Feliz Cidade Praia Grande, entidade que atende crianças com transtorno do espectro autista. Ao lado de Manga estavam o vereador de Praia Grande Paulo Monteiro (Republicanos) e a apresentadora da Record TV Mabell Reipert, que divulgou nas redes a campanha em apoio à instituição.

O contexto, porém, vai muito além de uma simples rifa de amendoim. Manga está afastado da Prefeitura de Sorocaba desde 6 de novembro, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), no âmbito da segunda fase da Operação Copia e Cola, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de desvios e fraudes em contratos emergenciais da área da saúde, firmados com uma organização social responsável pela gestão de unidades municipais. A mesma decisão determinou o afastamento por 180 dias e o sequestro de cerca de R$ 6,5 milhões em bens dos investigados.

Relatórios da Polícia Federal apontam Rodrigo Manga como chefe de um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro estruturado dentro da administração municipal, que teria usado empresas de fachada, inclusive em nome de familiares, contratos fictícios e entidades religiosas ligadas a aliados para movimentar recursos de origem ilícita desde 2021. Parte desse dinheiro, segundo a PF, estaria ligada justamente a contratos da saúde, incluindo a gestão de unidades de pronto atendimento em Sorocaba. Os investigados podem responder por crimes como corrupção, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa, caso as suspeitas sejam confirmadas.

Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do prefeito, que buscava anular provas e questionava a competência da Justiça Federal com base no uso de relatórios do Coaf e na origem dos recursos investigados. Ao rejeitar o pedido, o ministro Sebastião Reis Júnior manteve o afastamento de Manga e as medidas cautelares, entendendo que os contratos sob suspeita envolvem verbas federais do SUS repassadas ao município, o que justifica a atuação da Justiça Federal e da Polícia Federal no caso.

É nesse cenário que a presença do político na orla de Praia Grande, como rosto de uma ação beneficente ligada a uma ONG que atua justamente na área social e de saúde de crianças e famílias, ganha contornos incômodos. De um lado, a causa é legítima e urgente: a Associação Feliz Cidade, que mantém projetos como o “Descobrindo o Autismo”, oferece atendimento gratuito e multidisciplinar a pessoas com TEA e suas famílias, em parceria com voluntários e apoiadores locais.

De outro, o protagonista da cena é um gestor afastado exatamente por suspeitas de desvio de recursos públicos da saúde, alvo de uma operação policial que mira contratos com organização social e suposta lavagem de dinheiro ligada à mesma área. A escolha de Manga como “garoto propaganda” da arrecadação naturalmente desperta críticas e levanta dúvidas sobre os limites entre solidariedade e reposicionamento de imagem de um agente político sob investigação. Para parte da opinião pública, a ação acaba funcionando, na prática, como uma tentativa de suavizar a narrativa em torno de um caso ainda em andamento na Justiça, com uso de uma causa sensível — o autismo — como cenário de reabilitação simbólica.


#RodrigoManga #Sorocaba #PraiaGrande #OperacaoCopiaECola #CorrupcaoNaSaude #ONGFelizCidade #Autismo #Politica #BaixadaSantista #AlCaPreNews

Postar um comentário

0 Comentários