Projeto Ciclo SAMU entra em operação visando reduzir o tempo de resposta durante o aumento sazonal de turistas
Com o objetivo de ganhar tempo crucial no atendimento a ocorrências de saúde durante o pico da temporada de verão, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Guarujá, no litoral de São Paulo, implementará o projeto "Ciclo SAMU". A partir do dia 27 de dezembro, equipes de saúde passarão a utilizar bicicletas equipadas em um esforço para driblar a intensa circulação de pessoas e veículos que caracteriza as praias da cidade nesta época do ano.
Inicialmente focado nas praias das Pitangueiras e Astúrias, o projeto começa com a operação de duas bicicletas. Cada uma delas será tripulada por um profissional e contará com uma caixa acoplada que carrega equipamentos de Suporte Básico de Vida (SBV), incluindo um desfibrilador. Segundo a administração municipal, esta iniciativa não acarretará na redução do número de profissionais ou viaturas já em circulação, atuando como um reforço estratégico.
Doze profissionais, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem já integrantes do Samu, foram submetidos a um curso complementar específico para condutor de bicicleta de emergência. A capacitação, ministrada por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), buscou preparar os socorristas para um deslocamento seguro e eficiente, em conformidade com as normas de trânsito e as especificidades da pilotagem em áreas de praia.
O coordenador do Samu, Marcelo Valentim, aponta que as ocorrências mais comuns na orla durante o verão incluem afogamentos, coma alcoólico, desidratação e coma hipoglicêmico. A rapidez no atendimento desses casos, mesmo que de baixa complexidade, é vista como vital para evitar agravamentos e, consequentemente, reduzir a sobrecarga sobre outras unidades de urgência e emergência do município.
A estratégia de utilizar bicicletas para a chegada rápida ao local da ocorrência é louvável pela agilidade que proporciona em áreas de difícil acesso ou com tráfego congestionado. O uso de um equipamento como o desfibrilador em um tempo menor pode, de fato, fazer a diferença em situações de parada cardiorrespiratória.
No entanto, é fundamental que a crítica acompanhe a análise de projetos como este. A implantação do Ciclo SAMU, embora estratégica, lança luz sobre os desafios inerentes ao atendimento de emergência em regiões de grande fluxo sazonal. A efetividade do projeto dependerá não apenas da destreza dos profissionais capacitados, mas também da comunicação eficiente e da coordenação com as viaturas, que são essenciais para o transporte e suporte definitivo.
A bicicleta, por mais bem equipada que esteja com o suporte básico de vida, é apenas uma primeira resposta. Não substitui a capacidade de intervenção e transporte de uma ambulância. O sucesso do Ciclo SAMU será medido pela sua capacidade de ser um elo rápido e eficiente entre a ocorrência e a chegada do socorro mais completo, sem criar uma falsa sensação de capacidade plena de atendimento em uma região que, sazonalmente, já tem seus recursos de saúde sob pressão.
A iniciativa pode ser um passo importante para a gestão de crises sazonais, mas não deve desviar o foco da necessidade contínua de fortalecer a infraestrutura de saúde fixa e o efetivo das viaturas.


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