Polícia aponta uso de restaurantes para escoar lucros do tráfico e apreende haxixe, livros sobre o PCC, munição de uso restrito, joias e dezenas de chips de celular
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| Dinheiro, munições, joias e materiais apreendidos pela Polícia Civil durante operação contra lavagem de dinheiro ligada ao tráfico na Baixada Santista. Foto: Divulgação/Polícia Civil. |
Uma operação da Polícia Civil escancarou, mais uma vez, como o dinheiro do tráfico de drogas tem se misturado à economia formal na Baixada Santista. Na madrugada de terça-feira (25), investigadores que monitoravam a Vila dos Pescadores, em Cubatão, flagraram o momento em que um carro deixava a comunidade transportando uma quantia fora de qualquer padrão de normalidade: R$ 114 mil em dinheiro vivo, escondidos em uma sacola dentro de um VW Polo.
O motorista, identificado como Wellington Nascimento Salomão, foi preso em flagrante. Dono de dois restaurantes em Praia Grande, ele é apontado pela Delegacia Sede de Cubatão como elo entre o tráfico de drogas e o comércio legal, usando os estabelecimentos como fachada para “lavar” o lucro obtido com a venda de entorpecentes. O trabalho de inteligência já vinha sendo feito há meses, indicando que o empresário ia regularmente à comunidade para recolher valores do crime organizado.
O que levantou suspeitas antes mesmo do flagrante não foi apenas a rotina de viagens à região controlada pelo tráfico, mas a velocidade da ascensão econômica de Wellington. Em cerca de quatro anos, ele deixou a condição de empregado comum para se tornar proprietário de empreendimentos de grande porte — uma evolução patrimonial que, segundo os investigadores, não se sustentava à luz da renda oficialmente declarada.
Após a apreensão do dinheiro no veículo, a operação avançou para a residência do suspeito, em Praia Grande, com base em mandado de busca expedido pela Justiça. Dentro da casa, os policiais encontraram um cenário que reforça o vínculo com o crime organizado. Foram apreendidos três livros que relatam a história da facção criminosa PCC, além de cadernos com anotações detalhadas, que funcionariam como verdadeira contabilidade do tráfico, com registros de entradas, saídas e divisão de lucros na comunidade monitorada.
O imóvel também guardava itens diretamente relacionados à violência armada: munições, incluindo ao menos uma de uso restrito, e um carregador de pistola calibre .45.
A lista de apreensões é extensa. Além dos R$ 114 mil em espécie e das munições, a polícia recolheu 55 gramas de haxixe, dois veículos (o VW Polo e uma Montana), joias de ouro — correntes, anel e bracelete —, dois relógios e nada menos que 21 chips de telefonia celular. Esses chips, segundo a linha de investigação, podem ter sido usados justamente para dificultar o rastreamento de ligações e mensagens, uma tática comum em estruturas ligadas ao crime organizado.
Wellington foi autuado por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. As investigações continuam, agora com foco na quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário e na comunicação das operações suspeitas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).


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