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Ex-delegado morto deixou rascunho com suspeitas de fraudes em Praia Grande

Rascunho de Ruy Ferraz apontava possíveis fraudes em licitações; Câmara não abriu, até o momento, investigação própria mesmo diante das suspeitas

Montagem mostra Ruy Ferraz ao lado da fachada do prédio onde ocorreu o crime, destacando o contexto das suspeitas que ele investigava antes de ser morto. Foto: Reprodução.

O rascunho encontrado no notebook do ex-delegado geral da Polícia Civil e então secretário de Governo de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, reacendeu debates sobre a transparência administrativa e a responsabilidade das instituições locais diante de suspeitas graves. Ferraz, executado a tiros de fuzil em 15 de setembro, preparava uma denúncia ao Ministério Público paulista sobre possíveis fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo servidores públicos e empresários da cidade.

Segundo o relatório final do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), concluído no último dia 13, os apontamentos de Ferraz foram determinantes para a abertura de uma linha paralela de investigação. Embora haja indícios da participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na execução — inclusive a possibilidade de que integrantes tenham sido contratados —, a polícia considerou indispensável examinar se sua atuação na prefeitura o colocou no centro de conflitos internos.

A existência do rascunho levou o DHPP a solicitar medidas cautelares contra alguns servidores municipais e, em seguida, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) abriu um segundo inquérito dedicado exclusivamente à apuração de possíveis irregularidades em licitações. Cinco servidores foram alvos de mandados de busca, entre eles o subsecretário de Gestão e Tecnologia, Sandro Rogério Pardini.

Depoimentos colhidos pelo inquérito reforçam que o ex-delegado vinha se aprofundando em setores estratégicos, analisando fluxos internos e questionando procedimentos administrativos sensíveis. Técnicos das áreas de planejamento, tecnologia e integração de dados relataram ter sido procurados por Ferraz para esclarecer rotinas e processos. Um engenheiro do município afirmou ter conversado com investigadores sobre situações específicas de licitações em curso.

Esses movimentos sugerem que Ferraz poderia estar interferindo em interesses internos. Para o DHPP, ele pode ter “embaraçado situações recentes”, desencadeando uma reação violenta de quem poderia se sentir ameaçado por sua atuação.

A dimensão potencial dessas descobertas abre espaço para críticas à Câmara Municipal. Apesar do impacto político e institucional das suspeitas, o Legislativo não instaurou nenhuma comissão de investigação própria, mecanismo que poderia ter ampliado a fiscalização, garantido mais transparência e até mesmo permitido acesso formal aos rascunhos deixados por Ferraz.

A omissão paralisa debates importantes sobre controle público, especialmente quando há indícios de que informações sensíveis estavam sendo levantadas por um agente que acabou assassinado.


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