Reconhecimento por câmeras na Praia do Forte encerrou longa fuga de empresário paulista; lentidão do caso escancaram um roteiro de impunidade
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| Sérgio Nahas é fotografado na delegacia após ser preso na Praia do Forte (BA), mais de 23 anos depois da morte da esposa em São Paulo. Foto: Reprodução. |
Mais de duas décadas depois de um disparo no peito ter encerrado a vida de Fernanda Orfali, então com 28 anos, a história que atravessou anos de recursos e um réu em liberdade ganhou um capítulo definitivo: Sérgio Nahas, empresário paulista de 61 anos, foi preso no litoral da Bahia, em uma pousada situada em condomínio de luxo na Praia do Forte, após ser reconhecido por um sistema de monitoramento por câmeras, segundo a Polícia Militar baiana.
Com Nahas, ainda de acordo com a PM, foram apreendidos 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo Audi. A ocorrência foi registrada na Delegacia Territorial da região e o preso foi encaminhado à Polinter. Detido em 17 de janeiro, ele passou por audiência de custódia no dia 19 e deverá cumprir pena no sistema prisional de São Paulo.
A prisão foi motivada por mandado expedido pela Justiça paulista. Condenado pelo Tribunal do Júri, Nahas teve a pena confirmada e ajustada em instâncias superiores após o Ministério Público recorrer, chegando a 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal mantiveram a dosimetria, encerrando as tentativas de reversão da condenação.
O crime ocorreu em setembro de 2002, no apartamento do casal em Higienópolis, área nobre de São Paulo. A arma utilizada, sem registro, pertencia ao empresário. À época, Nahas afirmou que ouviu um disparo vindo do closet e encontrou a esposa agonizando, sustentando a versão de suicídio e alegando depressão. A investigação, no entanto, não acolheu a narrativa: ele foi acusado de homicídio doloso, com intenção de matar, e o caso seguiu até o Júri.
O que choca não é apenas o desfecho tardio, mas o caminho até ele. O julgamento só aconteceu em 2018, 16 anos após o assassinato. A pena final, de pouco mais de oito anos, contrasta com os 23 anos consumidos pelo processo e com o período em que o condenado permaneceu solto, vivendo a rotina de quem não carrega uma sentença nas costas.
O resultado denota, sem precisar adjetivar, o abismo entre a velocidade do crime e a morosidade do Estado: uma vida perdida em minutos, uma resposta judicial que levou décadas para produzir efetivo cumprimento de pena.


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