Base de operações do tráfico foi descoberta em área vulnerável de Cubatão e revelou rotina de risco para moradores
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| Material de preparo e embalagem de cocaína apreendido pela Polícia Civil em palafita usada como depósito de drogas na Vila dos Pescadores, em Cubatão. Foto: Divulgação/Polícia Civil. |
Um imóvel erguido sobre palafitas no Caminho Santa Madalena, na Vila dos Pescadores, em Cubatão, foi identificado pela Polícia Civil como ponto estruturado de preparo e armazenamento de drogas. A ação, realizada na manhã de sábado (22) por equipes do 1º Distrito Policial, não resultou em prisões, mas impôs um prejuízo significativo ao tráfico local diante da quantidade de entorpecentes e apetrechos apreendidos.
Segundo a investigação, o local funcionava como uma espécie de central de logística do crime na comunidade, em área de difícil acesso e vulnerável do ponto de vista urbanístico e social. A suspeita dos policiais é de que o material pertença a um grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), hipótese que ainda é apurada no inquérito.
Sob coordenação do delegado Ruy de Matos Pereira Filho e do investigador Rogério Pinto, os agentes localizaram cerca de quatro quilos de cocaína e aproximadamente 33 quilos de fermento. A substância, assim como outros pós brancos, é utilizada no chamado “batismo” da droga, prática em que o entorpecente é misturado a outros produtos para aumentar o volume e, consequentemente, a margem de lucro dos traficantes.
No interior da palafita, a polícia encontrou ainda cerca de 60 mil eppendorfs, os pequenos tubos plásticos usados para fracionar e vender a cocaína em porções unitárias. A presença desse material, em grande quantidade, indica um esquema de produção em série voltado ao abastecimento de pontos de venda não apenas na comunidade, mas em outras áreas da região.
Os policiais apreenderam também dez assadeiras de alumínio, duas caixas de luvas de látex, rolos de plástico, panelas e 11 balanças de precisão. O conjunto reforça o caráter industrial do esquema e evidencia que o local não era um simples esconderijo, mas uma estrutura montada para processar, embalar e distribuir drogas em escala. Segundo a corporação, a ação impediu que o volume de cocaína fosse, ao menos, dobrado antes de chegar ao mercado consumidor.
Apesar do resultado expressivo em termos de apreensão, a ausência de prisões lança luz sobre a dificuldade em identificar e responsabilizar os operadores de toda a cadeia do tráfico, especialmente em territórios marcados por precariedade habitacional e forte presença do crime organizado. A continuidade das investigações será decisiva para esclarecer quem controlava o depósito e de que forma essa engrenagem se conectava a outros pontos do comércio ilegal de drogas na Baixada Santista.


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